Parque Biológico de Gaia pretende repovoar rio Febros de lontras

O Parque Biológico de Gaia (PBG) pretende repovoar o rio Febros de lontras, um mamífero carnívoro que viveu naquelas águas, que nascem nos Carvalhos e desaguam em Avintes, junto ao Rio Douro, até aos anos 80.

Agência LUSA /

Em entrevista à Agência Lusa, o director do parque, Nuno Oliveira, afirmou que não é vista uma lontra no Febros há cerca de 15 anos, devido à poluição do rio.

O Febros corre no meio dos 35 hectares de área do Parque Biológico de Gaia e está a ser despoluído, sendo já visível uma água quase translúcida.

A repovoação do Febros apenas depende agora da reprodução das lontras e da recuperação do ecossistema natural do rio, para que estes pequenos animais - que conquistam a simpatia dos visitantes do parque - tenham alimento suficiente para se tornarem independentes do homem.

A lontra é, no entanto, apenas uma das 163 espécies de mamíferos que é possível observar em cativeiro no Parque Biológico de Gaia, além das mais de 100 espécies contabilizadas que ali habitam em estado selvagem.

Coelhos bravos, cágados, tartarugas, gamos, vacas, ginetas, burros, porcos do Vietname e inúmeros pássaros, desde o pisco ao pardal, passando pelas corujas, são alguns dos animais que ali vivem.

Porém, frisou o responsável, apenas se encontram em cativeiro animais domésticos que por uma outra razão estão incapacitados para sobreviverem na natureza.

O parque é também uma reserva natural, onde se protege e fomenta a flora selvagem, que está representada com pelo menos 176 espécies.

Segundo Nuno Oliveira, o PBG pretende mostrar aos visitantes a paisagem natural do vale do rio Febros em todos os seus aspectos, nomeadamente o carvalhal, o açude, as aves, a geologia e, entre outras curiosidades, os ninhos.

Naquele espaço verde - criado a partir do que ali existia - é possível deixar para trás o barulho dos carros, ver pássaros a mergulhar no rio, coelhos bravos a correr pela mata e exemplares do bisonte europeu.

A par da parte visível, o parque assume um importante papel em relação à educação ambiental, organizando ateliers e actividades para crianças de escolas, visitas guiadas e diversos colóquios sobre o ambiente.

O maior problema do Parque Biológico de Gaia, que em 2004 foi visitado por mais de 124 mil pessoas, prende-se com a sua sustentabilidade.

"O parque gasta cinco mil euros por dia", adiantou Nuno Oliveira, salientando que o dinheiro provêm das receitas das entradas e de subsídios da autarquia de Gaia.

Aberto ao mecenato, o parque não tem, no entanto, recebido este tipo de apoio.

Nuno Oliveira alertou para a importância da criação destes espaços, considerando que preservar o ambiente "não é colocar a garrafa no vidrão, mas proteger a paisagem".

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