Parque Biológico de Gaia reclama novo Centro de Recuperação
Mais de 900 animais, sobretudo aves, chegaram em 2004 ao Centro de Recuperação do Parque Biológico de Gaia (PBG), um espaço que tudo faz para salvar espécies selvagens feridas, embora espere há uma década por melhores condições de funcionamento.
Este serviço, que se destina à recuperação de animais para os restituir à natureza, funciona "nas condições possíveis" em três dos 35 hectares do parque, numa área que foi "remediada" para o efeito, disse à Agência Lusa o director do PBG, Nuno Oliveira.
A funcionar no âmbito de um protocolo com o Instituto de Conservação da Natureza e da Direcção Geral de Veterinária, o centro é, segundo Nuno Oliveira, "o maior de Portugal, recebendo anualmente cerca de 30 por cento dos animais recolhidos no país".
O PBG tem um projecto para a construção de raiz de um centro de recuperação de animais, mas a candidatura ao Programa Ambiente tem sido "eternamente adiada", nos últimos 10 anos.
"É urgente avançar com este novo centro, onde está prevista a construção de um conjunto de gaiolas, instalações para quarentena de animais e uma enfermaria", reclamou Nuno Oliveira.
O responsável lembrou que "é competência do Estado recolher os animais" e que "a boa vontade do parque - empresa municipal desde 2000 - devia ser apoiada".
Além de animais feridos, como um flamingo que recentemente levou um tiro de um caçador na Barrinha de Esmoriz, o centro acolhe espécies protegidas apreendidas por entrada ilegal no pais ou por posse ilegal, como papagaios vindos do Brasil ou águias feitas reféns.
Da lista de animais que chegam ao parque constam tartarugas, texugos, cobras, ginetas, diversas espécies de aves, raposas e até grilos.
"Recebemos, por exemplo, uma caixa cheia de grilos, que foi apreendida numa feira do Grande Porto", disse Nuno Oliveira, adiantando que o "mais surrealista" que apareceu no parque foi "uma lagarta de uma borboleta para recuperar", transportada numa folha de couve, pelas mãos de uma senhora já idosa.
Nuno Oliveira salientou que muitos dos animais que ali chegam morrem em 48 horas, outros são imediatamente postos em liberdade após a recuperação, ficando apenas no parque "aqueles que são irrecuperáveis", ou seja, que têm deformações permanentes ou criaram demasiada habituação ou dependência ao homem durante o período de recuperação.
"O nosso objectivo é sempre libertar os animais, devolvê-los ao seu habitat", disse, contando que a caixa de grilos apreendida foi logo virada para o chão.
Outro dos objectivos que o parque pretende concretizar assim que tiver o novo centro é acolher grandes felinos e primatas que, disse, "vivem em propriedades particulares".
"Não há nenhum centro capaz de receber ou tratar este tipo de animais. Com o novo centro, teríamos condições para acolher leões ou tigres por um período entre oito a 10 dias, antes de os encaminhar para um jardim zoológico", disse.
Localizado num vale agro-florestal, definido pelo rio Febros, o Parque Biológico de Gaia estabeleceu um percurso de três quilómetros, ao longo do qual a atenção dos visitantes é despertada para a observação de algumas das mais de cem espécies de animais em estado selvagem, sobretudo aves, mais de 700 espécies em cativeiro e centenas de plantas diferentes.