Parque da Praça da Figueira em causa
O Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa esclareceu que solicitou à Polícia Judiciária que procedesse à "averiguação prévia documental" relativamente à construção e exploração pela Bragaparques de um parque de estacionamento na baixa lisboeta.
"Face a notícias divulgadas", o DIAP adiantou, em contacto telefónico para a agência Lusa, que "não foi instaurado um inquérito relativamente à construção e exploração pela empresa Bragaparques de um parque de estacionamento na baixa lisboeta na altura da vereação presidida por João Soares".
"Contudo, e face às declarações proferidas pelo professor Carmona Rodrigues relativamente a esse assunto, o DIAP de Lisboa solicitou à Polícia Judiciária (PJ) que procedesse à averiguação prévia documental relativamente àquele parque de estacionamento, de modo a verificar se existe suspeita da prática de ilícito criminal".
O Expresso on-line noticiou hoje que a Direcção Central de Investigação à Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira da PJ está desde segunda-feira a recolher elementos sobre o envolvimento de João Soares, enquanto presidente da Câmara de Lisboa, no negócio entre a Bragaparques e a autarquia para o parque de estacionamento da Praça da Figueira.
O anterior presidente da edilidade lisboeta Carmona Rodrigues afirmou, na semana passada ao Expresso, que quando teve o primeiro contacto com o dossier desta obra verificou que não tinham sido cumpridos diversos requisitos legais, nomeadamente em termos de documentação.
João Soares, também ao Expresso, justificou que a ausência de documentação se devia ao facto de a obra ter sido entregue a um outro consórcio.
"Mais tarde a Bragaparques teria a posição deste construtor na empreitada. Esta seria a razão para que a obra estivesse a ser executada por aquela empresa sem que tivesse ganho o concurso", justificou João Soares.
A agência Lusa também contactou hoje João Soares, depois de receber o esclarecimento do DIAP, mas o ex-presidente da autarquia não quis fazer comentários, mas disponibilizando-se para na quarta-feira se pronunciar sobre a matéria.
Por sua vez, José Sócrates disse esta noite, em declarações à agência Lusa, que "nem como primeiro-prinistro nem como secretário-geral do PS lhe compete comentar processos judiciais".