Parque Natural do Alvão acolhe maior população de borboleta azul da Europa

O Parque Natural do Alvão acolhe a maior população em Portugal e na Europa da borboleta azul, uma espécie ameaçada da qual foram identificados 218 indivíduos nesta área, disse uma especialista da universidade de Vila Real.

Agência LUSA /

Patrícia Soares, licenciou-se na Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro (UTAD) e o estágio foi dedicado ao estudo do lepidóptero Maculinea alcon, vulgarmente conhecida como borboleta azul, que, segundo diz, "se encontra ameaçada em muitos países do Centro e Norte da Europa".

Este trabalho pretendeu avaliar o estado actual da "maior população em Portugal e na Europa" desta população de borboletas, que se localiza em Lamas de Olo, em pleno PNA, e conhecer a sua bioecologia.

Segundo disse à Agência Lusa, trata-se um de "lepidóptero bastante frágil e com baixa tolerância a variações no ecossistema, necessitando de condições ecológicas específicas".

Necessita designadamente da presença da sua planta hospedeira, a genciana (Gentiana pneumonanthe), onde coloca os ovos, assim como da formiga do género Myrmica que a alimenta no seu formigueiro durante as últimas fases larvares.

"A borboleta azul possui uma preferência para a colocação dos ovos, escolhendo as gencianas mais baixas e com menor número de botões florais", explicou.

A população observada apresentou uma "baixa abundância", com um total de 218 indivíduos contados, dos quais 102 machos e 116 fêmeas.

Patrícia Soares referiu que a técnica de marcação-libertação- recaptura utilizada permitiu estimar a abundância populacional recorrendo ao método de Lincoln-Peterson e conhecer o comportamento desta espécie durante o seu período de voo.

A especialista referiu ainda que os indivíduos macho são os primeiros a emergir dos formigueiros e que a população está dependente das condições climáticas, acabando por emergir quando estas são favoráveis.

As maiores ameaças para esta espécie são, segundo a especialista, o homem e o gado, que destroem os lameiros onde cresce a genciana.

Para Patrícia Soares, o Alvão oferece boas condições de acolhimento à borboleta azul porque se trata de uma zona com pouca poluição.

Salientou que foram observadas outras populações dentro da área do PNA e do Sítio da Rede Natura 2000 Alvão-Marão, que revelaram "baixas densidades de ovos e gencianas, comprovando que a população da borboleta azul corre sérios riscos de se extinguir a curto prazo".

A Maculinea alcon é a protagonista de um documentário, com 17 minutos, produzido pela actriz Maria Medeiros, que deverá estrear em Maio em França.

A especialista diz que o estudo da borboleta azul no Alvão vai continuar e que o próximo projecto passa pela tentativa de tentar reproduzir a genciana em estufa.

PUB