Partos de Elvas transferidos para Portalegre, Évora ou Espanha

Os partos realizados na maternidade de Elvas, que encerra até final de Junho, vão ser transferidos para os hospitais de Portalegre, Évora ou Badajoz (Espanha), disse hoje à agência Lusa um responsável hospitalar.

Agência LUSA /

A mudança surge na sequência do despacho assinado hoje pelo ministro da Saúde, António Correia de Campos, que determina o encerramento das maternidades de Barcelos, Santo Tirso, Oliveira de Azeméis e Elvas até 30 de Junho.

O presidente do Conselho de Administração dos hospitais de Portalegre e Elvas, Luís Ribeiro, adiantou à Lusa que a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo deverá celebrar nos próximos dois meses um protocolo com o Hospital Infanta Cristina, de Badajoz, para que as mulheres do concelho de Elvas possam aí ter os seus filhos.

"O acordo ainda não está celebrado, mas pensamos que deverá estar preto no branco antes do encerramento da sala de partos de Elvas", declarou.

Além de Badajoz, a pouco mais de uma dezena de quilómetros, pela fronteira do Caia, as mulheres da zona de Elvas também poderão optar por dar à luz nas maternidades dos hospitais distritais de Portalegre ou Évora.

A última iniciativa de protesto contra o fecho da maternidade de Elvas foi realizada a 08 de Março quando um movimento cívico desafiou a população da cidade a colocar ao pescoço, nas janelas de casa ou do carro uma fralda ou um pano branco, mas a adesão foi reduzida.

O presidente do município local, Rondão Almeida (PS), admitiu, pela primeira vez em finais de Fevereiro, o fecho da maternidade de Elvas.

Em declarações à agência Lusa, o autarca justificou a sua opinião com o argumento que, nos últimos anos, "dezenas de parturientes e recém-nascidos correram riscos de vida" na maternidade de Elvas, devido à falta de recursos humanos e de equipamentos.

"Nos últimos sete anos, a maternidade não foi dotada dos recursos humanos e técnicos necessários, justificando-se que as mulheres de Elvas tivessem que se deslocar a Évora ou Badajoz para ter os seus filhos", observou.

Em Dezembro de 2005, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgou uma lista em que apontava a falta de recursos humanos para o encerramento das primeiras seis urgências de obstetrícia no pais, à cabeça das quais surgia Elvas, que realiza menos de 200 partos por ano.

No início de Fevereiro, o presidente do Conselho de Administração dos hospitais de Portalegre e Elvas divulgou a possibilidade de as mulheres portuguesas da região fronteiriça passarem a ter os filhos na maternidade em Badajoz.

Nos últimos tempos, tem aumentado também o número de mulheres da região de Elvas que optam por dar à luz em Badajoz, recorrendo sobretudo a clínicas privadas, através de seguros de saúde.

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