Em direto
Depressão Ingrid. A evolução do mau tempo em Portugal ao minuto

Partos em ambulâncias mais do que duplicaram em 2025

Partos em ambulâncias mais do que duplicaram em 2025

No ano passado 60 bebés nasceram em ambulâncias em Portugal - mais do dobro dos 28 que nasceram em 2024. Se forem somados os partos ocorridos em ambulâncias aos que aconteceram na rua, o número sobe para 83 bebés nascidos fora de unidades hospitalares, é o que mostram os números oficiais do INEM, a que a Antena 1 teve acesso.

Rita Faria Fernandes - Antena 1 /
Foto: Pedro A. Pina - RTP

O INEM assinala ainda 39 nascimentos sem registo, ou seja, partos nos quais os técnicos das ambulâncias não especificaram onde ocorreram, mas em que o bebé também nasceu fora de hospitais.

Francisco foi um desses bebés: nasceu numa ambulância a caminho da maternidade. A mãe, Ana, de 41 anos e da Figueira da Foz, teve o filho a caminho de Coimbra. Esperava um parto semelhante ao primeiro: em ambiente hospitalar, com epidural. Mas tudo aconteceu muito mais depressa do que o previsto. "Eu não tive grande tempo de pensar. As dores eram tão fortes... eram mesmo lacerantes", diz Ana, que na Figueira na Foz não tinha maternidade. "Eu estava a ser acompanhada na Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, e seria para lá que iria. E fui, mas já com o Francisco nos braços", depois de ter chamado o 112.

Casos como este levantam preocupação junto dos profissionais de saúde. Para a obstetra Paula Ambrósio, coordenadora de Ginecologia e Obstetrícia numa unidade hospitalar em Lisboa, o maior risco dos partos em ambulâncias é o fator surpresa. "Pode acontecer algo que exija cuidados especializados imediatos, que fora de um bloco de partos não existem. Dificuldades respiratórias no recém-nascido ou hemorragias pós-parto na mãe" estão entre os cenários mais preocupantes, explica a médica.

A obstetra sublinha também a pressão psicológica associada a um parto fora de um meio hospitalar. Apesar do apoio dos bombeiros, lembra que não são especialistas em obstetrícia, o que aumenta a ansiedade numa situação já de si imprevisível. A recomendação é clara: na dúvida, ir ao hospital. Reconhecer os sinais do trabalho de parto e agir atempadamente pode fazer toda a diferença para a segurança da mãe e do bebé.
PUB