Passageiros aumentaram mais de metade nos TST e quase duplicaram na Fertagus
Lisboa, 23 Mar (Lusa) - O crescimento dos transportes da margem Sul do Tejo foi impulsionado com a Ponte Vasco da Gama, inaugurada há dez anos, traduzindo-se num aumento gradual dos passageiros: mais de metade nos Transportes Sul do Tejo e quase o dobro na Fertagus.
Na empresa de autocarros Transportes Sul do Tejo (TST), cuja actividade abrange Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, servindo uma população de cerca de um milhão de habitantes, o número de passageiros aumentou 53 por cento entre 1999 e 2007, avançou em declarações escritas à agência Lusa o administrador da empresa, António Corrêa de Sampaio.
Segundo o responsável, os passageiros transportados através da Ponte Vasco da Gama, naquele período, cresceram de 1.010.950 para 1.548.666.
O responsável explicou que a análise dos serviços realizados pelos TST através da Ponte Vasco da Gama, tem de ser dividida pela área de Setúbal/Palmela e a área de Montijo/Alcochete.
Na zona Montijo/Alcochete, em virtude do "grande desenvolvimento demográfico", entre 1999 e 2007, o número de serviços ao dia útil quadruplicou, passando de 34 para 138, e os passageiros transportados quintuplicaram, subindo de 154.700 para 770.616.
Em resultado da existência do comboio da Fertagus, que atravessa a Ponte 25 de Abril, a procura de serviços de transporte público rodoviário diminuiu na zona de Setúbal/Palmela desde 1999, apresentando em 2007 uma quebra de passageiros transportados de 9,1 por cento.
Na Fertagus, que explora o eixo ferroviário Setúbal/Lisboa, o aumento do número de passageiros entre 2000 e 2007 foi de 89 por cento, tendo passado de 11,6 milhões de passageiros para 22 milhões.
"Tem havido sempre um crescimento sistemático e sustentado da procura, com um salto significativo em 2004 quando se estendeu o serviço para sul, mas que se manteve até à data de hoje", afirmou por escrito à Lusa a administradora da Fertagus, Cristina Dourado.
Relativamente aos dois primeiros meses deste ano, houve um crescimento percentual acumulado de dois por cento comparado com o valor homólogo do ano anterior.
Segundo a Fertagus, que é responsável por cerca de 80 mil deslocações diárias, cerca de 30 por cento dos clientes que actualmente viajam no comboio utilizavam no passado o automóvel na travessia.
A Agência Lusa contactou a Transtejo, operadora de transportes fluviais que faz a ligação Montijo-Cais do Sodré, para saber a evolução do número de passageiros, mas não obteve resposta em tempo útil.
Para o professor do Instituto Superior Técnico e responsável pelo estudo de opção Beato-Montijo para Terceira Travessia do Tejo, José Manuel Viegas, a Ponte Vasco da Gama criou uma "boa ligação" entre o Norte e o Sul da Área Metropolitana de Lisboa.
Sobre críticas de que a Ponte Vasco da Gama não descongestionou a 25 de Abril, o especialista em transportes afirmou que a infra-estrutura não foi construída com esse objectivo.
"Sempre defendi que a ponte devia ser neste corredor e não no central [Chelas-Barreiro] e a minha expectativa era que fizesse aquilo que está a fazer e nunca que servisse para desanuviar a ponte 25 de Abril", sublinhou.
Para o especialista, "a Vasco da Gama ainda não só cumpriu integralmente o seu papel porque a CRIL [Circular Regional Interior de Lisboa] ainda não está concluída".
José Manuel Viegas salientou ainda que Alcochete, Montijo e Palmela ficaram com níveis de acessibilidade muito melhores do que tinham antes porque eram zonas que estavam isoladas.
A Lusa contactou a Lusoponte/Gestiponte para obter dados sobre o número de veículos que atravessaram a Ponte Vasco da Gama desde a sua inauguração, a 29 de Março de 1998, mas não obteve resposta.
HN.