Pastora de Melgaço ganhou 68 mil euros no Euromilhões e só descobriu 2 meses depois

Uma guardadora de cabras de Melgaço ganhou 68.580 euros no sorteio de 12 de Agosto do Euromilhões, mas só quarta-feira soube que tinha sido premiada, graças a um alerta estampado na primeira página de um jornal local.

Agência LUSA /

Maria do Carmo Faria tem 43 anos, mora em Fiães, Melgaço, e registou o seu boletim do Euromilhões no próprio dia do sorteio do concurso número 32, no Superquiosque da Calçada, na sede do concelho.

Acertou nos cinco números da sorte (15-23-30-37-40), mas não teve pontaria para nenhuma das estrelas, o que lhe valeu o 3º prémio, no montante de 68.580 euros.

"Como muitos apostadores que jogam quase só por descarga de consciência, nunca mais quis saber de conferir o boletim, e eu, perante tanta demora, decidi pedir que pusessem um anúncio no jornal da terra, porque o prazo para reclamação do prémio terminava a 10 de Novembro", explicou à Lusa o proprietário do quiosque, Jacinto Pires.

O jornal Voz de Melgaço publicou o alerta e surtiu imediatamente efeito, até porque o pai de Maria do Carmo, um homem de 81 anos, é assinante desse jornal.

"Ontem estava em casa a ler o jornal e aquilo chamou- me a atenção.O meu genro acabou também por ler e, pelo sim pelo não, foi conferir os boletins que tinha na gaveta.E não é que a sorte grande saiu mesmo à minha filha?", referiu, emocionado, o octogenário.

Como quarta-feira foi feriado, Maria do Carmo teve que (des)esperar até hoje para ir ao quiosque e levantar a respectiva credencial, para ir à Santa Casa da Misericórdia do Porto ou de Lisboa buscar o seu "dinheirinho".

"Ela nem fazia ideia de quanto tinha ganho, vinha meia baralhada", contou Jacinto Pires, um homem cujo quiosque já atribuiria, em 2003, um outro grande prémio, no valor de 517 mil euros e relativo ao Totoloto.

A agência Lusa tentou falar com Maria do Carmo, mas não foi possível, já que, como referiu o pai, ela estava para o monte, onde foi recolher as mais de 120 cabras que todos os dias, "quando está bom tempo", leva a pastar.

"Vai levá-las pelas 09:00 da manhã, volta para casa para fazer as lides domésticas e tratar da horta, e depois vai recolhê-las ao final do dia", referiu.

Agora que a sorte bateu à porta lá de casa, o octogenário só quer uma prenda: que filha e genro, com quem vive juntamente com a sua mulher, continuem a tratá-los "com todo o amor e carinho".

"Que mais hei-de querer nesta idade?", questiona, resignado.

Maria do Carmo está casada com um agente da GNR e tem uma filha que na segunda-feira completará 19 anos e que está a estudar na universidade, no Porto.

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