PCP acusa Governo de mentir sobre desconhecimento do "mal-estar" entre militares

Lisboa, 06 Nov (Lusa) - O PCP acusou hoje o Governo de mentir, ao argumentar "desconhecer o mal-estar nas fileiras" militares, e de ter uma "atitude autista e sobranceira perante o ambiente existente".

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Esta posição dos comunistas foi divulgada hoje, em comunicado, uma semana depois das declarações de Loureiro dos Santos, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, em que alertou para situações de "injustiça" que podem levar a atitudes mais "irreflectidas" dos militares mais jovens.

Nesse dia, o executivo, através do secretário de Estado da Defesa, João Mira Gomes, rejeitou as críticas e considerou que "não existe um mal-estar generalizado nas Forças Armadas".

Hoje, o PCP salienta que "o Governo, que diz desconhecer o mal-estar nas fileiras" foi o mesmo que levou, a uma reunião da comissão parlamentar de Defesa, um livro das associações militares em que são explicadas as leis "objecto de incumprimento" por parte do Estado.

"Comprova-se que o Governo falta à verdade nas afirmações de desconhecimento que produz, procurando atirar o ónus da responsabilidade para cima dos militares e das associações profissionais", lê-se no comunicado.

Para os comunistas, "a atitude autista e sobranceira do governo" só contribui para "o acentuar" desse ambiente e para "um sentimento de profunda injustiça", indesejável na instituição militar.

A 30 de Outubro, o general Loureiro dos Santos alertou para situações de "injustiça" e considerou que esta conjuntura pode levar a atitudes mais "irreflectidas" por parte dos militares mais jovens, tendo apelado à "responsabilização primária" do primeiro-ministro para resolver os problemas e reivindicações feitas pelas associações de militares.

O ex-chefe de Estado-Maior do Exército entende que "as questões essenciais - o sistema remuneratório, o pagamento de pensões e a questão do apoio na saúde - não têm sido resolvidas" pelo Governo socialista de José Sócrates, embora reconheça alguns progressos.

Nesse dia, o Governo, através do secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, João Mira Gomes, rejeitou as críticas do antigo chefe de Estado-Maior do Exército e considerou que "não existe um mal-estar generalizado nas Forças Armadas".

Na quarta-feira, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, considerou, em declarações à Lusa, que os chefes de Estado-Maior dos três ramos - Exército, Força Aérea e Marinha - "não fazem sentir as necessidades" dos militares ao poder político.

NS/ATF.


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