PCP acusa maioria autárquica PSD/CDS-PP de "insensibilidade social"

O PCP de Cascais acusou hoje a maioria autárquica PSD/CDS-PP de "insensibilidade social" por ter aumentado o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em 75 euros relativamente ao ano passado, considerando que tal vai afectar a vida das pessoas.

Agência LUSA /

Numa conferência de imprensa hoje realizada, o PCP afirmou que a decisão de aplicar a taxa máxima do IMI (0,8 por cento) "vai agravar as condições de vida das populações do concelho de Cascais, porque vai significar um aumento real de 75 euros em relação ao ano passado".

"A maioria PSD/CDS-PP demonstra a sua insensibilidade social na actual conjuntura económica do país, que tem diminuído drasticamente o poder de compra, com o congelamento de salários e os sucessivos aumentos do custo do bens e serviços básicos, como os transportes, os combustíveis e a água", disse Paulo Loya, defendendo que o valor do IMI deve ser fixado na taxa de 0,5 por cento.

Os comunistas criticaram também a aplicação do Pacote Laboral pelo Governo PSD/CDS-PP que consideram "estar a agravar a situação dos trabalhadores no concelho, pondo em causa as contratações colectivas e o direito à negociação nas empresas, cujos acordos têm sido adiados pelas entidades empregadoras que impõem ainda baixos aumentos salariais, como sucedeu no Hotel Atlântico e no Casino Estoril".

"Além disso, o desemprego continua a crescer em Cascais, contribuindo decisivamente para a degradação social. No serviço de emprego estão inscritos mais de 15.000 desempregados, fora os milhares que não estão inscritos", sublinhou.

Durante a conferência de imprensa, o PCP criticou ainda a forma como tem funcionado actualmente a Assembleia Municipal de Cascais, devido à irregularidade da realização das suas reuniões.

Esta situação tem-se agravado desde que o presidente da Assembleia, [Luís Nobre Guedes], assumiu também as funções de ministro do Ambiente no actual Governo, não reunindo a comissão de representantes desde Maio e não tendo realizado qualquer reunião da Assembleia em Setembro, conforme estipula a lei", acrescentou Paulo Loya.

Além disso, "contesta ainda as sucessivas tentativas do presidente da Câmara [António Capucho] de intervir no funcionamento da Assembleia, nomeadamente ao tentar que esta comece a funcionar durante a tarde dos dias de semana, o que conduziria a limitar bastante, se não mesmo a impedir a participação das populações".

O Partido Comunista lamentou ainda "a pompa e circunstância" com que foram anunciados pelo actual executivo camarário os investimentos de requalificação do litoral entre as praias de Carcavelos e S. João do Estoril, na ordem dos 5,5 milhões de euros.

"Claro que não estamos contra a requalificação. É importante que a orla costeira seja melhorada, mas consideramos que a forma como foi anunciada mostra uma grosseira acção de campanha publicitária inserida na estratégia eleitoral. Além disso, muitas das obras anunciadas já deviam ter ficado concluídas em 2001", frisou.

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