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PCP considera a operação militar um "ato de guerra" e acusa o governo de hipocrisia

PCP considera a operação militar um "ato de guerra" e acusa o governo de hipocrisia

O secretário-geral do PCP criticou os iranianos que se juntaram à frente da embaixada do Irão em Lisboa para celebrar a ataque militar que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e acusou o Governo de hipocrisia.

RTP /

Numa conferência de imprensa após uma reunião do Comité Central do PCP, na sede nacional do partido, em Lisboa, Paulo Raimundo considerou a operação militar norte-americana e israelita no Irão um “ato de guerra que conta, incompreensivelmente, com a cumplicidade de um Governo que parece apostado em querer arrastar Portugal para a agressão”.

Depois de referir que foram convocadas manifestações, em Lisboa e no Porto, para o dia 14 de março “em prol da paz, soberania e solidariedade” e pelo “fim das ameaças e agressões dos Estado Unidos”, o secretário-geral do PCP foi questionado sobre as dezenas de iranianos que celebraram, em frente à embaixada do Irão, a ofensiva norte-americana e israelita que resultou na morte de Ali Khamenei e deixou críticas aos manifestantes.

“Não posso estar ao lado de manifestações que, diria, sejam satisfeitas, que estejam felizes com o facto de nós estarmos perante uma situação que sabemos como é que começou e não sabemos como é que vai acabar, de ataque a um Estado soberano, seja ele qual for”, disse, acrescentando que discorda de quem acredita que se pode “festejar o facto de estarem a ser detonados toneladas e toneladas de bombas”.

Para Raimundo, a “história demonstra que a guerra não é solução para nada e que os povos, em todos os momentos da história (...) têm sempre as condições e a possibilidade de, com a sua ação, definir os seus caminhos”.

Na mesma resposta, o secretário-geral do PCP voltou a criticar o Governo e o que disse ser a sua “hipocrisia de dois pesos e duas medidas”.

“Tão lesto para assumir as dores de um lado e tão cauteloso para vir condenar aquilo que é evidência, que é um país soberano estar a ser agredido por outro país soberano”, atirou.

Questionado sobre se concorda com o pedido do PS para ouvir no parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o enquadramento das recentes movimentações de forças norte-americanas na base das Lajes, Açores, Paulo Raimundo mostrou abertura, mas sublinhou que o importante é a posição de Paulo Rangel sobre a utilização da base aérea.

“É a segunda vez que o Governo se verga perante a vontade dos Estados Unidos de fazer da base das lajes uma plataforma de ataque”, criticou, acrescentando que o mesmo ministro “classificou a agressão norte-americana na Venezuela como uma iniciativa humanitária”.

Sobre se está em causa uma violação dos Estados Unidos do acordo de utilização da Base das Lajes, Raimundo admitiu “não estar em condições” de saber, mas que se “está estabelecido permite que os Estados Unidos utilizem a Base das Lajes para servir de trampolim para as suas guerras unilaterais” a situação é “ainda pior”.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
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