PCP diz que objecções de Cavaco são "pertinentes" mas considera que diploma "não se resume a duas normas"
Lisboa, 29 Dez (Lusa)- O PCP considerou hoje que as questões levantadas por Cavaco Silva sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores são "pertinentes", mas realçou que este diploma é "estruturante" para a região autónoma e não se resume "a duas normas".
"Consideramos que as dúvidas do Presidente da República são pertinentes do ponto de vista constitucional, o PCP fez tudo o que estava ao seu alcance para que estas duas normas relativas aos poderes do Presidente da República e da Assembleia não fossem aprovadas", disse à Agência Lusa o deputado comunista António Filipe.
Uma das normas contestadas por Cavaco Silva faz com que, para dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores, o chefe de Estado passe a ter de consultar o governo regional e a própria assembleia, para além dos partidos e do Conselho de Estado.
A segunda norma proíbe a Assembleia da República de alterar as normas que não tenham sido objecto de proposta feita pelo parlamento dos Açores.
"O que é lamentável é que por teimosia do PS estas duas normas sejam incluídas no Estatuto final", criticou o deputado António Filipe.
"Não obstante estas razões não negamos o nosso voto ao Estatuto no Parlamento, considerando que este não se reduz a estas duas normas e que este diploma é importante para a região autónoma dos Açores", acrescentou.
O comunista frisou ainda que o PCP "tudo fez" para que as duas normas que "ferem a Constituição" fossem alteradas".
"Se o estatuto fossem apenas estas duas normas não o aprovaríamos, mas não é e é um diploma estruturante para a região autónoma dos Açores", concluiu.
O Presidente da República, Cavaco Silva, anunciou hoje a promulgação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, mas fez fortes críticas à lei, que disse afectar "o normal funcionamento das instituições.
"Limitar o exercício dos poderes do Presidente da República por lei ordinária, abala o equilíbrio de poderes e afecta o normal funcionamento das instituições da República", afirmou Cavaco Silva, numa declaração de sete minutos e cinco páginas, no Palácio de Belém, em Lisboa.
ATF/NS.