PCP vai exigir ao Parlamento rampas para deficientes em passagem superior

O PCP vai entregar quarta-feira um requerimento no Parlamento a exigir a colocação de rampas para deficientes ou idosos na passagem superior da estação ferroviária de Agualva-Cacém, segundo uma reivindicação das comissões de utentes de Sintra.

Agência LUSA /

A garantia foi hoje dada pelo deputado comunista António Filipe a responsáveis da Comissão de Utentes da Linha de Sintra e do IC-19, Rui Ramos e Adelina Machado respectivamente, após uma reunião para debater os "graves problemas de mobilidade no concelho".

"Vamos entregar amanhã um requerimento para colocar uma rampa na Estação Agualva-Cacém, conforme manda a lei", disse António Filipe à Agência Lusa.

Rui Ramos considera a situação "impensável" e acusa a transportadora Refer de "desrespeitar a lei".

"A Refer não respeita a lei do país relativa à eliminação das barreiras arquitectónicas para deficientes, idosos ou mães com carrinhos de bebés, pondo ali uma passagem superior só com degraus", frisou Rui Ramos.

Durante a reunião com o grupo parlamentar do PCP, o responsável criticou também o facto de a nova estação ferroviária de Meleças, que deverá ser inaugurada ainda este mês, "estar fora da rede do passe social, não ter ainda acessos, nem transportes que façam a ligação até ao local".

"Queremos que o passe social seja alargado à estação de Meleças, para que as pessoas de Mira-Sintra deixem de levar o carro até Agualva-Cacém. Além disso, é inacreditável que os acessos ainda não estejam concretizados", sublinhou.

A somar a estes problemas, Rui Ramos acrescentou ainda "o do encerramento do Túnel do Rossio devido à ameaça de colapso" que diz estar "a afectar as 60.000 pessoas que dali saíam todos os dias".

"É preciso encontrar um esquema alternativo de transportes para o encerramento do túnel e não apenas medidas avulsas, como as do transporte gratuito de passageiros até ao metro do Marquês, Restauradores ou Areeiro. Devia também ser estudada a hipótese de criar comboios directos de Monte Abraão ao Areeiro para atenuar a pressão que tem havido sobre Sete Rios", sugeriu.

A eventual privatização da Linha de Sintra, que Rui Ramos caracteriza como "modelo falido" e que irá aumentar o preço dos transportes, a falta de humanização e de estacionamento gratuito nas estações de comboios foram ainda alguns dos problemas levantados na reunião.

Mas as queixas não ficaram por aqui. A responsável pela Comissão de Utentes do IC-19, via que liga Sintra a Lisboa, levou para a reunião um documento intitulado "Acessibilidades - o suplício diário".

"Os problemas de mobilidade do nosso concelho não se resumem à necessidade de alargamento do IC-19. Aliás algumas destas obras foram adiadas. Soubemos que este Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) só contempla o alargamento até ao Nó do Cacém, mas deixa por exemplo de fora a construção da Circular Nascente ao Cacém", frisou Adelina Machado.

A utente considera ainda que muitas intervenções são "meras obras pontuais e muitas vezes mal feitas", dando como exemplo a entrada norte para Massamá.

"Além disso, continua a construir-se no interior de freguesias onde a mobilidade já é muito complicada. O exemplo é o novo centro comercial do Cacém. Continua a não haver dinheiro para a quadruplicação da via-férrea e remodelação da estação de Barcarena", lamentou.

Para Adelina Machado, é necessária a elaboração de um plano e de uma rede viária - que sejam coordenados entre as várias autarquias, porque o problema não é só de Sintra - corredores Bus e uma política eficaz de transportes públicos.

A responsável criticou ainda o "conceito do utilizador- pagador", argumentando que os utentes de Sintra "pagam imenso, apesar de não ser pelo sistema monetário directo".

"Pagamos em falta de qualidade de vida, em problemas de família, ambiente e emprego, que têm custos muito elevados", disse.

"Não posso deixar de considerar inadmissível que a Autoridade Metropolitana de Transportes não nos possa receber porque não está em funções, quando já tomou posse há um ano", acrescentou.

Os representantes das duas comissões de utentes vão ser ainda hoje recebidos por dois assessores da Presidência da República, a quem vão pedir para intervir junto do primeiro-ministro, Santana Lopes, no sentido de encontrar uma solução para os problemas, e no dia 02 pelo Grupo Parlamentar do PSD.

Entretanto, o deputado António Filipe prometeu manter pressão permanente sobre o Governo, comprometendo-se a levar as questões à Assembleia da República.

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