Pequena localidade de Santo Xisto, Régua, de luto pela morte de três trabalhadores

** Paula Lima, Agência Lusa **

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Vila Real, 24 Mai (Lusa) - A morte de três trabalhadores da construção civil sexta-feira em Espanha deixou de luto pequena localidade de Santo Xisto, no Peso da Régua, onde residiam as vítimas.

A notícia do acidente de viação foi dada às famílias pelos vizinhos, que foram alertados pelo telefonema de um dos feridos, que sobreviveu ao acidente de viação.

A furgoneta em que seguiam os trabalhadores portugueses terá saído da sua mão numa estrada perto de Lugo, na Galiza, acabando por embater "violentamente" contra um camião que seguia em sentido contrário.

As três vítimas mortais, de 29, 30 e 35 anos, foram trabalhar para a construção civil, em Espanha, há cerca de um ano e todos os fins-de-semana regressavam a casa, para junto da família.

"Eles foram ganhar dinheiro para fazer obras nas suas casas", disse à Lusa Cármen Costa, familiar de uma das vítimas mortais, que deixa uma filha de cinco anos.

O condutor do carro acidentado, de 35 anos, deixa dois filhos de 14 e quatro anos.

A pequena aldeia de Santo Xisto, onde residem cerca de 150 pessoas, vestiu-se de luto e ficou envolta num silêncio doloroso.

Todos os habitantes conhecem ou são familiares das vítimas.

Os dois sobreviventes do acidente, de 35 e 47 anos, eram respectivamente irmão e tio de dois dos mortos.

"Saiu de casa para governar a vida e pagar as despesas e depois acontece-lhe uma coisa destas", acrescentou Cármen Costa.

Mário Almeida, de 35 anos, é vizinho e familiar de uma das vítimas, conhece bem a realidade dos que saem da terra natal para trabalhar na construção civil em Espanha.

Também ele trabalha em Logroño, na Galiza, mas diz que regressa a Santo Xisto apenas de quinze em quinze dias por causa do "cansaço" provocado pela viagem e pelas "longas horas de trabalho diárias".

"Lá fora ganha-se dinheiro mas é muito sacrifício. Sacrifício por estarmos longe da família e por passarmos dias inteiros a comer sandes", frisou.

Apesar da consternação provocada pela morte dos amigos, Mário Almeida diz que tem que continuar a ir trabalhar para Espanha porque "é a única forma de ganhar dinheiro" para pagar as contas e alimentar os filhos de quatro e 10 anos.

O presidente da Junta de Freguesia de Vilarinho dos Freires, onde pertence Santo Xisto, disse ter a indicação de que os corpos das vítimas mortais, dois deles casados e um solteiro, possam ser transladados para Santo Xisto na segunda-feira e que os funerais se realizem na terça-feira.

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