País
Perceção de corrupção em Portugal atinge pior registo de sempre
Portugal mantém a tendência de queda no Índice de Perceção da Corrupção (CPI). Os resultados de 2025 são os piores de sempre, ultrapassando a 43.ª posição do ano anterior.
Em linha com o resto da Europa, Portugal regista a tendência de queda no Índice de Perceção da Corrupção, ocupando a 48.ª posição, com 56 pontos, e pior registo de sempre. O CPI utiliza uma escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro) para avaliar a perceção da corrupção no setor público em 182 Estados.
De acordo com o relatório anual, divulgado esta terça-feira e realizado pela Transparency International através da combinação de vários índices, Portugal fica melhor classificado do que Chipre, Fiji e Espanha, com 55 pontos, e Itália e Polónia, com 53.
Com a mesma pontuação, surgem países como Granada ou Costa Rica. Melhores no que diz respeito à perceção de corrupção estão Arábia Saudita, Botswana, Ruanda, Eslovénia e Catar.
Preocupado com a tendência de queda dos resultados de Portugal no CIP, acentuada nos últimos quatro anos, o presidente da direção da Transparência Internacional Portugal (TIP), José Fontão, aponta uma “correlação” dos resultados mais recentes com a “degradação das instituições e o crescimento dos atores políticos populistas”, ainda que essa relação não seja direta nem causal.
Em relação à queda no índice da revista The Economist, um dos que são considerados para recolher informação sobre o país para o CIP, José Fontão acredita que os casos judiciais que envolvem membros e órgãos políticos também têm contribuído para a degradação crescente da posição portuguesa.
Em entrevista à RTP, José Fontão avaliou as consequências da evolução negativa de Portugal na lista. A tendência portuguesa e europeia tem impacto direto na atratividade para o investimento estrangeiro nos países, na perceção da Justiça e noutros indicadores de desenvolvimento.
Apesar da utilização de uma metodologia internacionalmente validada, o presidente da TIP não deixa de alertar para as dúvidas quanto à classificação de países como o Catar, que está mais bem posicional em relação a Portugal no Índice de Perceção de Corrupção: “o índice de perceção da corrupção mede perceções de corrupção no setor público. Não mede democracia, não mede regimes autoritários, não mede direitos humanos”.
Caducada em 2024, a Estratégia Nacional Anticorrupção não apresentou, até ao momento, nenhuma avaliação sobre o funcionamento do programa ou sobre os próprios resultados. O presidente da TIP acredita que esta questão não foi uma prioridade política do atual Governo, mas deixa um pedido para o futuro: “Agora, o que é importante é que se leia o índice lendo aquilo que lá pode ser lido”.
José Fontão apela a que poder político reforce o Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) e avalie o fim das “medidas avulso”, que devem ser substituídas por uma “estratégia de longo prazo”, criticando a ineficácia do “bom quadro jurídico” português.
De acordo com a perceção da corrupção no setor público de 182 Estados, os Estados Unidos também registaram a pior posição de sempre na lista, com 64 pontos, e com 62, Cabo Verde é o país mais bem colocado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A corrupção persiste de forma mais acentuada na África Subsaariana, segundo o Índice de Perceção da Corrupção de 2025, que mantém a região com o pior desempenho global.
De acordo com o relatório anual, divulgado esta terça-feira e realizado pela Transparency International através da combinação de vários índices, Portugal fica melhor classificado do que Chipre, Fiji e Espanha, com 55 pontos, e Itália e Polónia, com 53.
Com a mesma pontuação, surgem países como Granada ou Costa Rica. Melhores no que diz respeito à perceção de corrupção estão Arábia Saudita, Botswana, Ruanda, Eslovénia e Catar.
Preocupado com a tendência de queda dos resultados de Portugal no CIP, acentuada nos últimos quatro anos, o presidente da direção da Transparência Internacional Portugal (TIP), José Fontão, aponta uma “correlação” dos resultados mais recentes com a “degradação das instituições e o crescimento dos atores políticos populistas”, ainda que essa relação não seja direta nem causal.
Em relação à queda no índice da revista The Economist, um dos que são considerados para recolher informação sobre o país para o CIP, José Fontão acredita que os casos judiciais que envolvem membros e órgãos políticos também têm contribuído para a degradação crescente da posição portuguesa.
Em entrevista à RTP, José Fontão avaliou as consequências da evolução negativa de Portugal na lista. A tendência portuguesa e europeia tem impacto direto na atratividade para o investimento estrangeiro nos países, na perceção da Justiça e noutros indicadores de desenvolvimento.
Apesar da utilização de uma metodologia internacionalmente validada, o presidente da TIP não deixa de alertar para as dúvidas quanto à classificação de países como o Catar, que está mais bem posicional em relação a Portugal no Índice de Perceção de Corrupção: “o índice de perceção da corrupção mede perceções de corrupção no setor público. Não mede democracia, não mede regimes autoritários, não mede direitos humanos”.
Caducada em 2024, a Estratégia Nacional Anticorrupção não apresentou, até ao momento, nenhuma avaliação sobre o funcionamento do programa ou sobre os próprios resultados. O presidente da TIP acredita que esta questão não foi uma prioridade política do atual Governo, mas deixa um pedido para o futuro: “Agora, o que é importante é que se leia o índice lendo aquilo que lá pode ser lido”.
José Fontão apela a que poder político reforce o Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) e avalie o fim das “medidas avulso”, que devem ser substituídas por uma “estratégia de longo prazo”, criticando a ineficácia do “bom quadro jurídico” português.
De acordo com a perceção da corrupção no setor público de 182 Estados, os Estados Unidos também registaram a pior posição de sempre na lista, com 64 pontos, e com 62, Cabo Verde é o país mais bem colocado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A corrupção persiste de forma mais acentuada na África Subsaariana, segundo o Índice de Perceção da Corrupção de 2025, que mantém a região com o pior desempenho global.