Perigo máximo de incêndios em 60 concelhos do interior e muito elevado em mais de 100

Perigo máximo de incêndios em 60 concelhos do interior e muito elevado em mais de 100

Cerca de 60 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro enfrentam esta quarta-feira um perigo de incêndio máximo, no início de um período de subida das temperaturas em Portugal.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Mário Raposo - RTP

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estão em risco muito elevado todo o interior do país, num total superior a 100 concelhos e que inclui alguns em distritos com território no litoral, como Viana do Castelo, Leiria, Setúbal e Faro.

O IPMA colocou ainda em risco elevado cerca de 40 concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro.

O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo
. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

No início da semana, o IPMA alertou para o aproximar de "um longo período com tempo quente e seco", com a temperatura máxima a atingir valores entre 40 e 43°C no Vale do Tejo e no Alentejo a partir de hoje e que se estenderá a outras regiões do país ao longo da semana.

Face a estas previsões, o perigo de incêndio vai agravar-se e na quinta-feira e até dia 8 de julho o risco será máximo e muito elevado em praticamente todo o continente, de acordo com a previsão do IPMA.

Por causa do calor, os distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja estão já hoje sob aviso laranja (o segundo mais grave), que se vai estender a outras regiões do país e na sexta- feira abrangerá todo o território.

As temperaturas mínimas vão variar hoje entre os 16º (Viana do Castelo, Braga, Coimbra e Leiria) e os 25º (Castelo Branco) e as máximas entre os 26º (Sagres) e os 40º (Castelo Branco).
Dispositivo de combate a incêndios rurais reforçado
O dispositivo de combate a incêndios rurais é reforçado esta quarta-feira para entrar na sua capacidade máxima, numa altura em que a área ardida e o número de fogos duplicaram em relação ao mesmo período de 2025.

A Diretiva Operacional Nacional (DON), que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, indica que os meios são reforçados hoje pela terceira vez este ano com a entrada em vigor do denominado 'reforçado - nível Delta', que se prolonga até 30 de setembro.

O DECIR prevê para esta altura do ano 81 meios aéreos, três dos quais os helicópteros da AFOCELCA (empresa de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais). Pela primeira vez este ano vão estar ao serviço os dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea.

Segundo o DECIR, vão estar ao dispor nos próximos três meses, entre permanentes e mobilizáveis, 15.149 operacionais de 2.596 equipas e 3.463 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2025.

Os mais de 15 mil operacionais envolvidos no DECIR são elementos pertencentes aos bombeiros voluntários, Força Especial de Proteção Civil, militares da Guarda Nacional Republicana e elementos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nomeadamente sapadores florestais e sapadores bombeiros florestais.

Uma das novidades introduzidas este ano no DECIR, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), é a utilização do retardante (substância química usada para reduzir, atrasar ou impedir a propagação do incêndio e consequentemente auxilia no controlo e extinção do fogo) por um maior número de meios aéreos.

De acordo com a ANEPC, em 2025 existia apenas um Centro de Meios Aéreos a utilizar retardante nas aeronaves, passando este ano a estar disponível em cinco.
País está preparado para os incêndios

O ministro da Administração Interna garante que Portugal está preparado para enfrentar a 'Fase Delta' do combate aos incêndios.
O Governo não descarta o recurso a medidas extraordinárias caso a situação o exija.

O secretário de Estado das Florestas frisou na RTP que a prevenção é algo muito importante e "fizemo-lo de uma forma integrada".
Rui Ladeira salientou que nas áreas afetadas pelo comboio de tempestades, cerca de 32 mil hectares, ainda existem muitas árvores caídas e que ainda "há muita área para limpar".

O prazo para a limpeza dos terrenos florestais terminou na terça-feira.

C/ Lusa
Tópicos
PUB