Personalidade de Carlos Cruz incompatível com pedofilia, diz o seu médico

Personalidade de Carlos Cruz incompatível com pedofilia, diz o seu médico

O médico de um dos arguidos no processo Casa Pia, Carlos Cruz, disse em tribunal que o antigo apresentador de televisão tem traços psicológicos que não são compatíveis com práticas pedófilas.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

Eduardo Mendes prestou hoje declarações, na sessão 240 do julgamento do processo de pedofilia da Casa Pia, defendendo na altura que Carlos Cruz tem "tr aços neuróticos e edipianos" que não são compatíveis com práticas chamadas de pe dofilia.

"Não é frequente nas parafilias (perversões sexuais) a presença deste t ipo de personalidade", afirmou, acrescentando que o mesmo acontece com pessoas m uito tímidas, que é o caso de Carlos Cruz.

Eduardo Mendes contou também que acompanhou Carlos Cruz quando este tev e uma grande depressão, com tendências suicidas, e explicou que se por um lado a s pessoas psicóticas raramente se deprimem, as neuróticas, o caso de Carlos Cruz , sim, o que lhe aconteceu depois de uma viagem a África e na sequência do escân dalo financeiro envolvendo o corretor Pedro Caldeira (em 1992, com quem o aprese ntador tinha negócios).

Arrolado como testemunha por Carlos Cruz, o médico foi também explicar que tinha consultado o ex-apresentador de televisão em casa deste, a 08 de Dezem bro de 2000, e como se conseguia lembrar perfeitamente da data.

Segundo a acusação essa seria uma data em que Carlos Cruz estaria numa casa em Elvas onde alegadamente aconteciam práticas pedófilas envolvendo alunos da Casa Pia.

De resto, o médico falou ainda da perícia feita aos órgãos genitais de Carlos Cruz, na qual esteve presente, afirmando que as manchas visíveis no pénis do arguido são muito pequenas, como é pequena a probabilidade de aumentarem com uma erecção.

O objectivo é contrariar também a acusação, segundo a qual alguns joven s teriam referido a existência de uma mancha do tamanho de uma moeda de cêntimo.

Também como testemunha de Carlos Cruz foi hoje ouvido em tribunal Frede rico Ferreira de Almeida, administrador da Fremantle Portugal, empresa que em 20 00 produziu o programa "A Febre do Dinheiro", apresentado por Carlos Cruz.

Ferreira de Almeida explicou como era gravado o programa e falou sobre a permanência de Carlos Cruz nessas gravações.

Perante as questões colocadas pelo advogado de Carlos Cruz, Ricardo Sá Fernandes, foi dito que quando o programa foi gravado Cruz esteve sempre present e, a maior parte do dia.

Na sessão de hoje voltou a ser ouvido ainda Alfredo Ribeiro, ex-aluno e funcionário da Casa Pia, que na semana passada já tinha dito em tribunal que se lembrava, enquanto aluno, de colegas seus se prostituírem nos jardins de Belém.

Durante a tarde, arrolados pelo arguido Manuel Abrantes, foram ouvidos três professores, um deles irmão do antigo provedor Luís Rebelo.

Como tem sido hábito nas testemunhas da Casa Pia que vão a tribunal tod os disseram que ficaram espantados quando rebentou o escândalo de pedofilia na i nstituição, em 2002.

Nenhum deles, conforme palavras ao colectivo de juízes, soube de prátic as homossexuais na Casa Pia, de prostituição de alunos ou de casos de pedofilia.

António Cruz Rebelo, irmão de Luís Rebelo, disse ainda que não estranho u que fossem feitos muitos exames médicos aos alunos da Casa Pia, embora tenha d ito ao contrário em fase de inquérito.

Hoje, confrontado com isso, disse que se lembrava de ter ido ao DIAP (D epartamento de Investigação e Acção Penal), mas que não se lembrava das declaraç ões que prestou.

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