Pescadores e armadores de Matosinhos decidem terminar bloqueio à DocaPesca

Matosinhos, 31 Mai (Lusa) - Os pescadores e armadores que desde as 23:00 de sexta-feira bloqueavam o acesso à DocaPesca de Matosinhos decidiram hoje cerca das 17:00 terminar o protesto, disse José Luís Silva, da Associação de Armadores de Pesca do Norte.

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O dirigente daquela associação adiantou que os pescadores e armadores se reúnem domingo às 10:30 na Póvoa do Varzim para decidir como prosseguir a sua luta a partir de segunda-feira.

O bloqueio de 18 horas ficou marcado hoje à tarde pela invasão das instalações da DocaPesca pelos pescadores, que destruiram cerca de uma tonelada de peixe armazenado, a maior parte sardinha.

Da invasão resultaram confrontos e ficaram feridos um polícia, atingido com uma caixa de peixe na cabeça, e um armador, disseram à Lusa testemunhas no local.

O peixe, retido na DocaPesca de Matosinhos devido ao bloqueio, deveria ter sido doado a instituições de solidariedade social.

José Luís Silva responsabilizou os comerciantes e o ministro de Agricultura e Pescas pelos incidentes.

Segundo o dirigente, a responsabilidade dos comerciantes resulta de não terem permitido a entrega do peixe armazenado em lota a instituiçoes de solidariedade.

"Não deixaram que o entregassem antes que apodrecesse", disse.

Quanto ao ministro Jaime Silva, considerou-o "responsável" pela situação, uma vez que não satisfez as pretensões dos pescadores e passou a imagem de que não faltaria peixe no mercado.

Cerca de oito mil barcos portugueses cumpriram hoje o segundo dia de paralisação em protesto contra a falta de apoios para enfrentar o aumento acentuado dos preços dos combustíveis.

António Macedo, do Sindicato dos Pescadores do Norte, garantiu hoje à agência Lusa que "o protesto vai continuar por tempo indeterminado" e que o peixe que hoje está a ser vendido nas grandes superfícies comerciais ou nos mercados "já foi pescado quinta-feira".

"Hoje vão decorrer diversas reuniões com pescadores, armadores e sindicatos e o protesto vai continuar com 100 por cento de adesão por tempo indeterminado", afirmou.

Porém, segundo António Macedo, o Governo já deu alguns sinais de querer discutir a situação, nomeadamente "com a marcação de uma reunião na terça-feira, com o ministro da Agricultura, Jaime Silva".

O sector pesqueiro português avançou para a paralisação em consonância com os seus congéneres da Espanha, França e Itália.

PAL/RRA/JGJ/CC.


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