Pinheiro Bravo - Governo quer abater árvores com nemátodo para combater doença
O secretário de Estado do Desenvolvimento Regional e Florestas anunciou hoje uma "nova estratégia" de combate do nemátodo do pinheiro bravo vai obrigar ao abate imediato de todas as árvores infectadas para controlar a doença até 2008.
"Só poderemos resolver o problema se tomarmos medidas mais eficazes ao nível do planeamento e da execução", disse Rui Gonçalves, que falava na apresentação da nova estratégia de luta contra a doença, realizada nos Viveiros Florestais de Valverde, em Alcácer do Sal.
A nova estratégia prevê o abate de todas as árvores infectadas e a criação de uma faixa de contenção fitossanitária com três quilómetros de largura - zona tampão onde deverão ser eliminados todos os pinheiros bravos - de forma a reduzir a zona infectada e a impedir a propagação da doença para a margem Norte do rio Tejo.
A doença é provocada por um parasita que impede a árvore de dar resina e acaba por causar a sua morte.
Em Portugal afecta apenas árvores na região sul do país, designadamente no litoral.
A zona tampão sem pinheiros bravos deverá evitar a propagação da doença, uma vez que os insectos responsáveis pela propagação do nemátodo têm um raio de acção inferior a 1,5 quilómetros.
Para além destas medidas, a nova estratégia de luta contra a doença prevê também a obrigatoriedade dos proprietários procederem ao abate imediato das árvores infectadas.
Se não o fizerem, a responsabilidade pelo abate das árvores será assumida pela Direcção Geral dos Recursos Florestais que, neste caso, deverá proceder também ao abate de todos os pinheiros bravos existentes num raio de cinco metros.
Questionado pelos jornalistas, Rui Gonçalves disse que não estão previstas medidas compensatórias para os produtores florestais, que poderão, no entanto, realizar algumas receitas com a venda da madeira contaminada para biomassa florestal e produção de energia.
Caso contrário, as receitas revertem para o Estado.
Para além destas medidas, o director-geral dos Recursos Florestais terá ainda a possibilidade de definir, por despacho, a delimitação das zonas críticas e outras medidas adicionais que sejam consideradas adequadas para a erradicação da praga.
Dentro da área afectada há duas zonas críticas, na zona de Sesimbra e na Comporta, esta última com mais de 60 por cento das árvores infectadas e já algumas zonas de descoberto vegetal devido ao abate dos pinheiros atingidos pelo parasita.
O nemátodo do pinheiro bravo, proveniente da América do Norte ou da Ásia, é um parasita que impede a produção de resina e acaba por provocar a morte das árvores infectadas.
Este parasita foi detectado pela primeira vez na região de Setúbal em 1999, ao que se julga transportado em "paletes" e madeiras de embalagem provenientes da Ásia.
Apesar das medidas adoptadas nos últimos seis anos para evitar a propagação da doença, verificou-se um aumento da área afectada, em direcção ao sul do país, havendo actualmente cerca de 107 mil árvores infectadas na zona compreendida entre Vila Franca de Xira e Porto Covo, concelho de Sines.