Pinto Monteiro quer Ministério Público acima de interesses pessoais
O procurador-geral da República considera que o Ministério Público (MP) "atravessa uma fase de grande insegurança" e que, para se afirmar, tem de estar acima de querelas político-partidárias ou interesses corporativos. Pinto Monteiro voltou a denunciar tentativas de "descredibilização" e "enfraquecimento" do MP, vindas "de dentro e fora" do próprio organismo.
As "pessoas passam e as instituições ficam", por isso, "todas as querelas político-partidárias, corporativas ou até interesses pessoais desaparecerão um dia e o MP ficará", argumenta o procurador-geral da República.
Lembrando que o MP é "um pilar fundamental do Estado de Direito", Pinto Monteiro defende ser "muito importante" o seu reforço para uma "melhor justiça" em Portugal. "O MP é um dos elos da Justiça e se um dos elos falhar a justiça não funciona", argumenta.
Pinto Monteiro entende que o MP português é o que "mais tarefas" e "maior autonomia" tem na Europa, ideias já referidas ontem, aquando da apresentação do mapa judiciário.
Tentativas de "descredibilização" e "enfraquecimento" do MP
Pinto Monteiro insistiu que o MP está a ser alvo de uma "tentativa consciente ou inconsciente, vinda de dentro e de fora do MP de descredibilização", uma ideia avançada ontem, aquando da cerimónia de tomada de posse dos coordenadores das comarcas-piloto do novo mapa judiciário.
"Essa tentativa de descredibilização do MP significa o fim ou o descrédito de um pilar fundamental do Estado de Direito Democrático. Nós temos um MP que é o mais autónomo da Europa e devemos lutar para que isso aconteça", dizia Pinto Monteiro.
Os coordenadores das comarcas devem estabelecer a ligação entre os "jovens magistrados" do MP e os procuradores-distritais, assim como "ajudar, dirigir e coadjuvar".
"O MP está nas novas comarcas para servir o cidadão e combater a criminalidade, proteger os menores, os trabalhadores, os fracos, o ambiente", acrescentou.
Pinto Monteiro comentava ontem que a reforma do mapa judiciário "não é aquilo que o MP pretendia", mas mesmo assim representa uma evolução, comparativamente com a versão que não referia o nome do organismo. "Quanto ao mapa judiciário tem de se esperar para ver. Há, contudo, um problema em Portugal que é haver uma oposição às reformas".
Hoje, Pinto Monteiro voltou a comentar o tema do mapa judiciário, dizendo que é preciso ter "a honestidade, a humildade e a coragem de alterar o que não estiver bem".