Pirotecnia Minhota teve um outro acidente há cerca de dois meses
Porto, 07 Ago (Lusa) - A Pirotecnia Minhota, em Santa Cruz do Lima, Ponte de Lima, onde uma explosão fez hoje oito feridos, dois dos quais graves, registou um outro acidente que causou um ferido grave, há dois meses, disse hoje à agência Lusa um trabalhador da empresa.
João Freitas, de 53 anos, ficou gravemente ferido nessa explosão que, há dois meses - em data que não soube precisar, destruiu um paiol e lhe lhe provocou lesões graves nas duas mãos e queimaduras na cara.
"Fiquei 18 dias em coma na Unidade de Queimados do Hospital Universitário de Coimbra e estou neste momento de baixa a fazer tratamento. Ás quatro horas [da tarde] ia a sair de casa, aqui perto, para fazer fisioterapia, quando ouvi a explosão", disse João Freitas.
O trabalhador referiu que, no momento da explosão que o vitimou, se encontrava "sozinho num paiol a operar uma máquina de calcar canudos", ou seja, a meter pólvora dentro dos foguetes, o que constitui a fase mais perigosa do processo de fabrico.
Para João Freitas, o acidente de hoje deve ter-se dado nas mesmas circunstâncias.
Rosa Carvalho, também moradora nas imediações da fábrica disse à Lusa confiar na empresa "que é muito cuidadosa no que respeita à segurança no fabrico".
"O que nos preocupa são as carrinhas e camiões, cheias de explosivos, sempre a entrar e sair da fábrica", acrescentou.
O vereador da Protecção Civil de Ponte de Lima, Gaspar Martins resumiu a situação afirmando que "parece que houve aqui hoje um terramoto, tal é o nível de destruição".
Acrescentou, porém, que "parte da empresa vai continuar em laboração, já que as instalações administrativas e a maior parte dos paióis não foram atingidas".
A explosão ocorreu cerca das 16:20 na fábrica Pirotecnia Minhota, em Santa Cruz do Lima, Concelho de Ponte de Lima, situada numa zona rural.
"A explosão atingiu um paiol e dois contentores com explosivos, entre os muitos paióis de material explosivo que constituem esta unidade industrial, destruindo também um veículo ligeiro comercial de transporte de explosivos que se encontrava nas instalações.
A explosão projectou materiais na zona circundante, tendo provocado pequenos focos de incêndio que já foram controlados pelos bombeiros.
Gaspar Martins garantiu que "a empresa cumpria todas as regras de segurança" e revelou que nenhum morador da zona se queixou de qualquer dano nas respectivas habitações.
Os proprietários da empresa, dois sócios, não quiseram prestar declarações, tendo um deles recebido tratamento médico devido à comoção sentida com o acidente.
Oito pessoas foram atingidas na explosão, encontrando-se duas delas em estado grave, disseram à Lusa fontes do INEM e da Protecção Civil.
Os feridos graves são dois homens com idades entre 30 e 40 anos, que têm queimaduras graves e foram já transportados para o Hospital Universitário de Coimbra e para o Hospital de S. João no Porto, disse à Lusa fonte do INEM.
Entre os outros feridos está uma mulher de 33 anos, com queimaduras menos graves, que foi levada para o Hospital de São Marcos, em Braga.
Outros três feridos, todos hospitalizados em Viana do Castelo, são um homem que sofreu traumatismos nas pernas e queimaduras nos joelhos ao ser projectado pela explosão, um homem de 50 anos com queimaduras na face e uma mulher de 22 anos com traumatismos em resultado de uma queda ao fugir do acidente.
Uma fonte da Protecção Civil revelou ainda a existência de mais dois feridos ligeiros que presumivelmente foram tratados no local.
A Pirotecnia Minhota, onde trabalham 32 pessoas, é uma das principais fábricas do País do sector, tendo sido responsável, entre outros, pelo espectáculo de abertura da EXPO/98, além de outros eventos em todo o mundo.