PJ pede a testemunhas que retirem o máximo de informações ao avistar pessoas desaparecidas
As pessoas que avistem alguém dado como desaparecido devem alertar de imediato as autoridades e recolher de forma discreta o máximo de pormenores sobre fisionomia, pormenores do rosto e meios de deslocação, recordou hoje a Polícia Judiciária.
O inspector da Polícia Judiciária (PJ) Olegário de Sousa, porta-voz para o caso Madeleine McCann, a menina inglesa desaparecida do Algarve faz hoje três meses, explicou à Lusa que qualquer pessoa que aviste alguém desaparecido deve "o mais rápido possível contactar qualquer autoridade local que tiver mais à mão".
Enquanto a polícia não chega ao local, deve tentar recolher-se o máximo de informação sobre a pessoa alegadamente desaparecida, como pormenores de rosto, formato do rosto, sinais particulares, altura, o que traz vestido, como actua e em que idioma se expressa.
O meio como a pessoa se desloca também é informação importante.
Assim, por exemplo, se se trata de uma viatura, a cor, a matrícula e a marca do carro devem ser anotados, acrescenta o inspector da Judiciária.
"Seria interessante que as pessoas tomassem nota desses pormenores, porque é partir dessas informações que podemos trabalhar", mas sempre de forma discreta, avisa Olegário de Sousa.
Os avistamentos da menina inglesa Madeleine McCann desde que desapareceu têm sido múltiplos e em vários países da Europa, o mais recente dos quais, no sábado, na Bélgica.
No entanto, as testemunhas quase nunca conseguem retirar todos os pormenores importantes nestas situações de stress, que mais tarde podem ajudar o trabalho policial.
O primeiro caso de uma pessoa que pensava ter visto Madeleine Mccann, desaparecida a 3 de Maio do aldeamento turístico da Praia da Luz, ocorreu em Nelas, Viseu, poucos dias depois do desaparecimento mas revelou-se um falso alarme.
Uma testemunha contou que um homem belga teria saído de um carro com uma criança idêntica a Maddie.
Mais tarde, a 19 de Maio, a PJ apreendeu uma filmagem realizada em circuito fechado de um posto de abastecimento de combustíveis perto de Lagos, onde havia imagens de uma mulher e dois homens acompanhados por uma criança semelhante a Madeleine McCann.
Uma pista considerada consistente pela polícia foi o testemunho de uma mulher, Marie Oll, cidadã norueguesa a viver em Espanha, e que alegadamente terá visto Madeleiene num posto de abastecimento de combustível em Marraquexe, Marrocos, acompanhada por um homem de cerca de 40 anos.
Outras pistas menos consistentes também foram veiculadas pela comunicação social, nomeadamente avistamentos em Malta, Chipre, Grécia e esta semana na Bélgica, informação que ainda está a ser analisada pelas autoridades daquele país.
As autoridades da localidade belga de Tongres já terão aberto um inquérito e realizado um retrato-rôbot com base nas declarações de um pedo-psiquiatra que reconheceu a criança.
A polícia portuguesa, no entanto, disse não ter ainda conhecimento oficial deste caso.