PJ sinaliza videojogos e conteúdos extremistas online para radicalizar jovens

PJ sinaliza videojogos e conteúdos extremistas online para radicalizar jovens

A Polícia Judiciária identificou em Portugal, numa operação coordenada com a EUROPOL, em menos de um mês, 54 endereços online de videojogos com conteúdos extremistas, potencialmente usados para radicalizar crianças e adolescentes.

Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Noel Celis - Reuters

Em comunicado, a PJ anunciou que foram sinalizadas "mais de nove mil ligações para conteúdos extremistas violentos e terroristas, difundidos em mais de uma dezena de plataformas de jogos online, para disseminar propaganda e recrutar jovens".
A operação decorreu de 14 de setembro a 09 de outubro no âmbito de uma ação coordenada pela agência europeia Europol, com a participação de 16 países.

Nas investigações, foram sinalizadas "ligações para conteúdos que promoviam o extremismo violento e o terrorismo de inspiração jihadista, de extrema-direita, de extrema-esquerda e anarquista".

"O material encontrava-se disseminado por 47 plataformas de redes sociais e de jogos online", clarifica a força policial.
Em Portugal foram identificados "essencialmente conteúdos associados ao True Crime Community", que junta pessoas com obsessões por crimes reais, "com simulação de ataques terroristas a escolas e a uma mesquita em ambiente de jogo" e "glorificação de autores de atentados e mapas descarregáveis para o jogo de realidade virtual Bonelab destinados à recriação desses cenários".

Foram ainda encontrados conteúdos "relativos a avatares de temática islamita militante em Roblox e a um convite Discord que promove a migração dos utilizadores do Tik Tok para uma comunidade dedicada", em território nacional.

A PJ explica ainda que no contexto dos videojogos, "estas comunidades recriam as estruturas, narrativas e símbolos de organizações terroristas, bem como ataques terroristas". E as atividades podem incluir "a interpretação de papéis de membros de grupos terroristas e a reconstituição de acontecimentos que envolvem essas organizações".
"Estas atividades podem evoluir para esforços coordenados de produção e disseminação de propaganda e de recrutamento de novos membros e simpatizantes, incluindo jovens e menores", salienta a PJ. 
Por isso, a identificação e sinalização deste tipo de conteúdos é essencial "para travar a disseminação de propaganda terrorista e extremista violenta, bem como para impedir a sua utilização no recrutamento de novos membros e na preparação e concretização de atos violentos".

A nível europeu, foram sinalizados conteúdos que "promoviam o extremismo violento e o terrorismo de inspiração jihadista, de extrema-direita, de extrema-esquerda e anarquista", disseminados "por 47 plataformas de redes sociais e jogos online.

Esta ação, coordenada pela agência europeia Europol, reflete os esforços da União Europeia para "combater a exploração de ambientes de jogos online para fins terroristas e de extremismo violento".

Recorde-se que, a PJ lançou em janeiro a campanha de comunicação “Hate online, Kills offline”, que aborda o fenómeno da radicalização online de crianças e jovens. Este é um dos maiores desafios atuais, "exigindo uma abordagem integrada e coordenada entre as estruturas oficiais do Estado e a sociedade civil nas suas diversas vertentes".
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