Plantada primeira cerejeira do jardim japonês em Belém
A plantação simbólica da primeira cerejeira marcou hoje o início da construção do jardim japonês que vai nascer em Belém até Março do próximo ano para celebrar os 461 anos de amizade entre Portugal e o Japão.
Constituído por duas colinas transversais ao rio Tejo, junto ao Museu de Arte Popular, o jardim pretende fazer a transição entre as duas culturas e terá 461 cerejeiras japonesas - "sakura" em japonês - uma por cada ano de amizade que liga os dois países.
A disposição das árvores, plantadas sobre as colinas, separadas por um vale central que encaminha os transeuntes de Norte para Sul, vai assemelhar-se a um texto escrito.
De um lado, as cerejeiras serão colocadas em linha, com espaços entre elas de uma mesma linha, como os espaços entre palavras de um texto em português, enquanto a "marginação do texto" é feita à esquerda, deixando as "palavras" abertas sobre o vale, descreve o projecto, da autoria do atelier de arquitectura Proap.
Sobre as colinas do lado oposto, as cerejeiras desenham uma mancha de texto em japonês, marginada à direita e sem espaços nas linhas, mas construindo blocos com linhas em branco entre si.
Apesar de estar concluído em Março de 2005, os visitantes provavelmente só deverão ver a floração das cerejeiras na Primavera do ano seguinte, um espectáculo muito apreciado pelo povo japonês, que chega mesmo a viajar para assistir a este momento.
O dia de hoje marca também a comemoração da data em que os portugueses Francisco Zeimoto, António da Mota e António Peixoto chegaram pela primeira vez a Tanegeshima, no Japão, em 1543, embora algumas teorias apontem para os dias 21 ou 23 de Setembro.
O local escolhido para a construção do jardim é também simbólico para a história dos dois países: "Belém é um lugar histórico, de onde partiram os homens dos Descobrimentos", afirmou hoje João Oliveira e Costa, da Associação de Amizade Portugal-Japão, durante a cerimónia de plantação da primeira árvore.
O representante da Associação sublinhou que o jardim será "um espaço de lazer e cultural que assinala a ligação entre os dois povos, que os portugueses não conhecem tão bem, mas que os japoneses conhecem melhor".
O embaixador do Japão, Hideichiro Hamanaka, destacou que o jardim será "um motivo de descontracção e lazer" para todos os visitantes, representando a "vocação dos dois povos para a paz".
Também o presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, afirmou que o jardim japonês representa "um grande ganho" para Lisboa e para a população, demonstrando a "vocação universal do nosso país, gentes e da própria cidade".
A construção do jardim vai depender da ajuda das instituições e empresas que queiram apoiar o projecto, estimado em cerca de 700 mil euros, explicou António Morão, comissário executivo do projecto.
Está já garantido o apoio do Fundo Expo Osaka 70, que trabalha na divulgação da cultura japonesa, além de entidades como as fundações Oriente e Calouste Gulbenkian, entre outras.
"Quem contribuir com a aquisição simbólica das cerejeiras, ficará com o seu nome ligado para sempre a este jardim", explicou o comissário.
Além de assinalar a amizade entre Portugal e o Japão, o jardim japonês representa também uma nova fase nas relações entre a Câmara de Lisboa e a Administração do Porto de Lisboa (APL).
João Navega, presidente do Conselho de Administração da APL, destacou que o Porto de Lisboa procura "ter uma relação mais próxima com a cidade".
Também Carmona Rodrigues defendeu uma "maior permeabilidade" entre a cidade e o rio: "o planeamento e o entendimento, cada vez melhor, entre a Câmara de Lisboa e a APL, apontam para se deixar para a actividade portuária aquilo que lhe pertence".
O jardim japonês promete continuar a crescer naquela zona da cidade, com a plantação de uma nova árvore por cada ano de amizade que passa.