País
Plataforma dos exames. "Foi feito com muito amadorismo e sem competência" face à dimensão
Os problemas com a plataforma dos exames nacionais revelam um "problema crónico do Estado": a falta de planeamento. Luís Vidigal, especialista na modernização da administração pública, aponta que o sistema não terá sido testado para a complexidade que ia enfrentar.
Depois do piloto feito no passado com um número reduzido de exames, Luís Vidigal considera que faltou um "teste de carga". Realçando que há pouca informação sobre este processo, "tudo leva a crer que realmente não foi feito nem plano de contingência, nem teste de carga".
"Isto foi feito com muito amadorismo e sem competência para gerir um projeto com a complexidade que tem", criticou este especialista em competências de e-Government (Governo Eletrónico) e em IT Governance, assim como na modernização da administração pública.
Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1
Entrevistado por Eduarda Maio no Ponto Central, da RTP Antena 1, Luís Vidigal apontou que existe um "problema crónico do Estado" em preparar um plano B quando há falhas: "Não foi feito um trabalho de identificação destes processos e de ver a criticidade deles", considerou, para que existessem alternativas se houvesse algum problema.
Após a "compressão" de estruturas no Ministério da Educação, diz que "desgastaram-se muito as competências internas do ministério". Mesmo defendendo, pela experiência que teve ao serviço do Estado, "que o Estado nunca conseguiria acompanhar a evolução das tecnologias e até das competências", Luís Vidigal afirma que "tinha que reter pelo menos competências de natureza estratégica e arquitetónica".
"Neste momento estamos num problema muito grave, é que não temos nem uma coisa nem outra: não temos competência para fazer e não temos competência para pensar e arquitetar", conclui.
Perante as falhas que têm sido conhecidas, o especialista considera que tem sido colocada em causa a confiança dos cidadãos no Estado.