Poema de neto de 7 anos marca última despedida

A declamação de um poema de um neto de Orlando Costa, Vicente, de 7 anos, marcou hoje a última despedida de familiares e amigos do escritor, falecido sexta-feira em Lisboa, aos 76 anos.

Agência LUSA /

Na altura, a actriz Fernanda Lapa declamou ainda, na Basílica da Estrela, Lisboa, um poema de Orlando Costa.

Em seguida, o caixão foi coberto com as bandeiras do Partido Comunista Português e da Associação Portuguesa de Escritores e o funeral partiu para o Cemitério do Alto de S.João, onde Orlando Costa será cremado.

Entre as dezenas de familiares e amigos do escritor, presentes na Basílica da Estrela, destacavam-se os filhos, António Costa, ministro da Administração Interna, e Ricardo Costa, jornalista da SIC, bem como a mãe destes, a jornalista Maria Antónia Pala.

Orlando Costa nasceu em 1929, na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, vivendo a infância e a adolescência em Goa.

Em 1947, viajou para Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras.

Iniciou a sua actividade literária pela poesia, publicando, em 1951, o livro "A Estrada e a Voz", mas foi no romance que mais se destacou, com "O Signo da Ira" (1961), "Podem Chamar-me Eurídice" (1964), "Os Filhos de Norton" (1994) ou "O Último Olhar de Manú Miranda" (2000).

No teatro, foi reeditada, em 2003, a obra de 1971 "Sem Flores Nem Coroas", onde Orlando da Costa retoma o período colonial português em Goa.

Em 2004, lançou "Vocações/Evocações", uma selecção de poemas para comemorar os 30 anos do 25 de Abril de 1974.

Foi galardoado, em 1961, com o prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, com o Prémio Complementar de Eça de Queiroz de Literatura da Câmara Municipal de Lisboa, em 1994, e pelo grupo de teatro Seiva Trupe, em 1984, devido à peça "A Como Estão os Cravos Hoje?".

Foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), instituição que frequentava regularmente e de que se tornou sócio honorário em 1956.

Orlando Costa era militante do Partido Comunista Português desde 1954.

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