Polémica sobre criação de fundação origina queixa em nome de pessoas que negam autoria

Lisboa, 28 Nov (Lusa) - As divergências sobre a criação de uma fundação para gerir o património da obediência maçónica Grande Oriente Lusitano (GOL) já motivou uma queixa-crime na Justiça, cujos nomes que surgem na participação negam ser seus autores.

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Trata-se de uma "usurpação de identidade", disse à agência Lusa o coronel Vasco Lourenço, um dos nomes indicados como autor da participação criminal.

A queixa foi entregue a 13 de Novembro no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, como confirmou à Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República, segundo a qual a participação-crime originou a abertura de um inquérito.

O grão-mestre do GOL, António Reis, os dois elementos que se lhe seguem na hierarquia da estrutura maçónica, António Justino Ribeiro e Fernando Manuel Lima Fernandes, e "desconhecidos" serão os alvos da queixa, que não terá sido assinada, mas terá o carimbo de confirmação de entrega no DIAP.

Acusações de burla qualificada, falsificação por funcionário, abuso de poder, gestão danosa e abuso de confiança são acusações usadas contra António Reis e os outros dois dirigentes do GOL, facto que levou o próprio grão-mestre a emitir um comunicado a 20 de Novembro dirigido a todos os seus "irmãos" maçons.

Nesse texto, António Reis diz que os queixosos que surgem na participação são os de Vasco Lourenço e Jorge Sá, mas assegura que a sua identidade foi falsificada e que os próprios negam a autoria, como o fez Vasco Lourenço quando contactado pela Lusa.

Disse, aliás, como escreve também Reis no comunicado, que apresentou um requerimento em Tribunal "desmentindo a prática de tal acto e participando contra incertos por usurpação de identidade".

A contestação à criação da Fundação Grande Oriente Lusitano é sustentada por um grupo minoritário de opositores que questionam a razão da criação da instituição que vai receber, de forma irrevogável, o património das três instituições para-maçónicas do GOL, que integra mais de uma vintena de edifícios localizados em Lisboa e nas mais importantes cidades portuguesas.

Para sábado estão convocadas as assembleias gerais das três instituições para-maçónicas - Associação Grémio Lusitano, Associação Sociedade Promotora de Escolas e Associação Internato São João - para elegerem os seus representantes no Conselho de Curadores da Fundação, de acordo com as respectivas convocatórias, a que a Lusa teve acesso.

As assembleias gerais, todas presididas por António Reis, estão marcadas com meia-hora de intervalo entre cada uma - entre as 13:00 e as 14:00 - na sede do GOL, no Bairro Alto, em Lisboa.

Os eleitos nestas reuniões deverão depois participar numa reunião extraordinária do Conselho de Curadores da Fundação, convocada para as 14:30, no mesmo local, para elegerem os corpos dirigentes desta instituição.

A Fundação GOL foi registada notarialmente em Setembro passado, mas para ser reconhecida legalmente terá que obter o parecer favorável do ministro da Presidência ou de quem ele delegar, função que actualmente está atribuída ao secretário de Estado Adjunto da Presidência, Jorge Lacão, citado frequentemente na imprensa como membro do GOL.


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