Polícia sem farda de cerimónia sem direito a Junta Médica
Armando Ferreira, presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL), contou à agência Lusa que é arguido num processo disciplinar por se apresentar numa junta médica sem a farda de cerimónia, que tentara em vão adquirir.
Armando Ferreira foi operado há um ano à cabeça, tendo sido convocado para comparecer a uma junta médica no passado dia 7 de Maio.
Contudo, os regulamentos exigem que os polícias se apresentem nas juntas médicas com a farda B-1 (farda de cerimónia).
Só que a farda de Gala de Armando Ferreira, há muito no armário porque só é usada em condições muito especiais, deixara de lhe servir.
Por isso, uma semana antes de se apresentar à junta médica, dirigiu-se ao Depósito de Fardamentos da PSP, em Santa Marta (o único local em Lisboa onde se podem adquirir fardas policiais) para comprar o uniforme.
No entanto, as instalações estavam encerradas para balanço situação que, segundo informação prestada no local, se arrastaria por mais de uma semana.
Às 08:30 de 7 de Maio, Armando Ferreira chegou ao local da inspecção médica, trajando à civil. Diz ter imediatamente explicado ao oficial ali presente as razões de não estar fardado.
Esperou três horas até que chegasse a sua vez, altura em que lhe foi comunicado que a junta médica estava anulada por não se apresentar fardado.
Armando Ferreira contestou e prometeu denunciar publicamente a situação.
Ainda no mesmo dia, entregou no gabinete do director nacional da PSP um "requerimento em forma de exposição" onde relatou os factos mas, até hoje, não obteve resposta.
Em contrapartida, foi notificado sexta-feira de manhã de que é arguido num processo disciplinar por se ter apresentado a civil e por ter afirmado que se o castigassem denunciaria a situação.
Contudo, Armando Ferreira põe também em causa a presença de um oficial na Junta Médica.
Segundo diz, há pareceres do Provedor da Justiça e da Ordem dos Médicos que dizem ser ilegal a presença de pessoas que não sejam médicas nas Juntas Médicas.
O dirigente sindical lembra ainda que é a PSP que deve dar as fardas aos seus homens, a quem é descontado mensalmente para esse efeito 5,49 euros.
"Como é que uma polícia pode exigir que um agente ande devidamente fardado, quando não disponibiliza o fardamento?", pergunta Armando Ferreira.
A agência Lusa contactou a Direcção Nacional da PSP para obter uma reacção, mas não foi possível até ao momento.