Polícias julgados por roubos e extorsões, um agente preferiu o silêncio

Matosinhos, Porto, 06 set (Lusa) -- O tribunal de Matosinhos começou hoje o julgamento de dois polícias e seis outros indivíduos alegadamente envolvidos em roubos e extorsões, com um dos agentes a remeter-se ao silêncio.

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O outro agente da PSP admitiu apenas o envolvimento num dos casos em julgamento, ainda que em circunstâncias diferentes das descritas na acusação.

Em causa está, nesta parte do processo, a deslocação a uma loja da Póvoa de Varzim a 30 de abril de 2009 onde, segundo o Ministério Público (MP), os dois agentes da PSP terão simulado uma fiscalização para extorquir dinheiro ao proprietário, que tinha armazenados artigos contrafeitos.

O polícia João Furtado disse ter ido ao estabelecimento a pedido do colega Dinis Vieira, com dois amigos comuns, para averiguar se o comerciante Hicham Harram estaria a vender máquinas fotográficas sem alguns componentes, mas negou a prática de qualquer ilícito e afirmou desconhecer o teor de uma conversa que o colega terá mantido em privado com o lojista.

Hicham Harram viria a declarar-se vítima de uma tentativa de extorsão de 20 mil euros e chamou a polícia local.

Furtado admitiu que ele e o colega não representavam a Divisão de Investigação Criminal da PSP, que normalmente faz as averiguações em causa.

"Se calhar, o nosso erro foi não comunicar" as suspeitas que alegadamente teriam à PSP da Póvoa de Varzim, admitiu ainda.

Referindo-se a outra parte da acusação - um roubo, precedido de agressões, a dois homens que se encontravam no interior de uma viatura em Leça do Balio, Matosinhos, a 09 de março de 2010 -, Furtado disse que não só não se envolveu no assalto como tentou intercetar os autores do delito.

O agente negou ainda qualquer alegada tentativa de extorsão ao responsável do bar da Associação Cultural de Gueifães, Maia, a propósito da existência no estabelecimento de uma máquina de jogo ilegal.

No conjunto do processo, que reúne diversos inquéritos-crime, os polícias estão acusados de extorsão, nas formas consumada e tentada, simples ou agravada, roubo e detenção de arma proibida.

Os dois agentes da PSP foram detidos em janeiro deste ano durante uma operação da Divisão de Investigação Criminal e do Grupo de Operações Especiais daquela polícia, na sequência de uma investigação de vários meses.

Durante um reconhecimento presencial, dezenas de vítimas associaram os dois polícias aos crimes de que tinham sido alvo.

Na acusação, o MP refere que o arguido Dinis Vieira exigiu ao cidadão Domingos Oliveira, em 2008, o pagamento de 7.500 euros "se não quisesse ser envolvido" no processo "Noite Branca", relacionado com a espiral violenta que marcou o Porto em 2007.

O julgamento continua na terça-feira.

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