Polo de Artes de Lisboa vai ser vendido e construído novo Campus Universitário em Setubal
Lisboa, 30 Ago (Lusa) - Os cooperadores da Dinensino decidiram hoje vender o Pólo das Artes da Universidade Moderna, em Belém, para pagar todas as dívidas "ao Estado, professores e credores" e ainda construir um novo Campus Universitário em Setúbal.
Os cooperadores da Universidade Moderna reuniram-se hoje em Lisboa numa Assembleia Geral Extraordinária "pacífica", que começou de manhã e terminou ao final da tarde com todos os pontos agendados discutidos e aprovados.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Dinensino e secretário-geral da Universidade Moderna, Cal Gonçalves, anunciou a "aprovação do plano de reestruturação financeira" que prevê "uma operação de compra e venda no sector imobiliário que vai permitir o pagamento de todas as dívidas ao Estado, professores e outros credores".
De acordo com aquele responsável, a hipoteca que existe sobre o Polo do Artes em Lisboa vai ser levantada, sendo o edifício vendido.
Com a venda do património e pagamento das dívidas, a Dinensino pretende ainda recuperar o edifício de Setúbal que também "será dado como forma de pagamento".
Num terreno de 35 mil metros quadrados existente na zona da Mitrena, em Setúbal, os cooperantes decidiram hoje que seria construído "um novo Campus Universitário e um novo parque de Ciência e Tecnologia de Setúbal".
Cal Gonçalves garantiu que a venda de património não vai alterar os hábitos e que as instalações de Lisboa continuarão a ser utilizadas, não havendo data para as abandonar.
O responsável garantiu que a Assembleia Geral foi "pacifica" e que decorreu com a "maior das normalidades": "As decisões de saneamento financeiro de venda e compra de património foi aprovada sem votos contra, com larga maioria de votos favoráveis, numa relação de oito a favor contra uma abstenção".
Cal Gonçalves sublinhou ainda a presença de todos os cooperadores num encontro em que "nenhum protestou".
Durante o dia foi também aprovado o orçamento de actividades para 2008 e o relatório de actividades e contas de 2007.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) tinha notificado a 30 de Julho a UM e a Dinensino da decisão de encerrar compulsivamente a instituição por falta de viabilidade económica, grave degradação institucional e incumprimento de requisitos de funcionamento nos "denominados `estabelecimentos de ensino superior` de Setúbal e de Beja", ao nível institucional e pedagógico.
O chamado `caso Moderna`, um dos mais mediáticos da Justiça portuguesa, decorreu entre Abril de 2002 e Outubro de 2003, envolvendo 13 arguidos acusados de crimes que iam desde administração danosa a apropriação ilícita e abuso de confiança, corrupção, burla e associação criminosa (não provado), culminando na condenação do "antigo homem forte" da Moderna, José Braga Gonçalves (pena única de sete anos e meio), e de Pedro Garcia Rosado (dois anos de prisão, suspensos por três), antigo assessor de imprensa do ministro da Educação Marçal Grilo.
Desde o início do escândalo do `caso Moderna`, em 1999, a universidade gerida pela Dinensino tem vindo a confrontar-se com falta de alunos (de cerca de 10 mil passou a poucos mais de 500) e sucessivas crises de liderança e financeiras.
SIM.
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