Ponte Eiffel vai durar mais 100 anos após obras em curso
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, Defensor Moura (PS), garantiu hoje que a ponte Eiffel que liga a cidade a Darque "vai durar mais 100 anos", mas manifestou-se indignado pelo atraso nas obras da estrutura.
"É muito tempo para uma intervenção destas", criticou o autarca, ao ass ociar-se ao protesto que os utentes daquela ponte decidiram promover no dia em q ue passa um ano sobre o encerramento do tabuleiro rodoviário para obras de recup eração e alargamento.
A ponte Eiffel de Viana do Castelo foi encerrada ao trânsito rodoviário a 01 de Fevereiro de 2006, tendo, na altura, sido garantido que o tabuleiro rea briria em finais de Julho do mesmo ano.
No entanto, os trabalhos foram suspensos devido a problemas de corrosão , detectados após a remoção do tabuleiro, e que obrigaram à realização de novos estudos, análises e ensaios "mais complexos e aprofundados", sob orientação do L aboratório Nacional de Engenharia Civil.
Em Setembro, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou que as obras estariam concluídas no último trimestre de 2007, garantia entretanto reite rada pela Rede Ferroviária Nacional (Refer), que passou a assumir a gestão da ob ra, em detrimento da Estradas de Portugal.
"Este prazo foi-me confirmado há dias pela Refer, mas vamos continuar a tentos", acrescentou Defensor Moura.
Para o presidente da Câmara, todo o processo de recuperação da ponte as senta num "erro genético", já que o projecto datava de inícios dos anos 90 e as obras foram postas a concurso em 2004, sem que tenha sido feita uma análise actu alizada da verdadeira situação da estrutura.
"Uma coisa que nasce torta é difícil de ser endireitada", criticou.
No protesto de hoje marcaram presença dezenas de utentes, que promovera m um "buzinão" durante cerca de uma hora.
As viaturas ostentavam cartazes com frases como "A brigada do Apito Dou rado que investigue os atrasos das obras", "Os comerciantes não aguentam mais pr ejuízos, queremos auxílios" e "Aluga-se 20 lojas devolutas entre Cais Novo e San toinho - Contactar Ministério das Obras Públicas".
O porta-voz da Comissão de Utentes, Arménio Belo, explicou que o princi pal problema tem a ver com a "enorme" volta que os habitantes de Darque têm que dar para chegar à cidade e com o tempo que perdem com isso.
"Até aqui, bastava apenas atravessar os 560 metros da ponte e já estáva mos na cidade. Agora, somos obrigados a andar 15 quilómetros para cada lado. O q ue nos demorava quatro a sete minutos leva agora entre 15 e 25. É insustentável" , referiu.
Arménio Belo criticou ainda o facto de, para a esmagadora maioria das c erca de 15 mil pessoas que todos os dias atravessavam a ponte, não ter havido qu alquer medida minimizadora, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Leixõe s, onde estão a ser disponibilizados transportes gratuitos entre Leça da Palmeir a e Matosinhos.
"Serão os habitantes de Viana do Castelo portugueses de segunda?", ques tionou.
Ao protesto associou-se também a Concelhia de Viana do Castelo do PSD, que levou para o local o "caracol Lino", a forma encontrada pelos sociais-democr atas para criticar o ministro das Obras Públicas pela lentidão das obras.
"É preciso sensibilizar o ministro da tutela para a necessidade de reab rir a ponte antes das Festas d`Agonia [meados de Agosto], tentando, de alguma fo rma, amenizar os enormes prejuízos que os comerciantes estão a sentir na pele há precisamente um ano ", referiu o líder local do PSD, António José Amaral.