População abastecida de água "em quantidade e qualidade" após contaminação de solos - autarca
Sines, Setúbal, 26 Dez (Lusa) - A população de Sines continua a ser abastecida, "em quantidade e qualidade", pela Águas de Santo André (AdSA), na sequência da contaminação por hidrocarbonetos dos solos onde estão situados os furos municipais, garantiu hoje o presidente do município.
A empresa do grupo Águas de Portugal abastece a cidade desde segunda-feira, data em que o município e a delegada de Saúde suspenderam as captações de água nos furos geridos pela autarquia devido à contaminação de solos por hidrocarbonetos, na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), próximo de aquíferos usados para abastecimento público.
A medida, tomada "preventivamente", deverá manter-se nos próximos dias, até que a situação "seja verificada e os autores responsabilizados", asseverou hoje à agência Lusa o presidente do município, Manuel Coelho.
"Retomaremos o abastecimento de água à população a partir dos nossos furos assim que tenhamos a garantia de que a situação está normalizada. Até lá, a AdSA tem todas as condições para nos abastecer em permanência, quer em quantidade, quer em qualidade, sem qualquer problema", disse.
A empresa é já responsável pela prestação deste serviço à freguesia de Porto Covo (Sines), bem como a Vila Nova de Santo André e a parte da cidade de Santiago do Cacém, no concelho vizinho, chegando ainda a reforçar o abastecimento de Sines durante o Verão, recordou o autarca.
"Já chegámos a comprar-lhes água no Verão, sempre que era preciso, e não há qualquer problema de qualidade", reforçou Manuel Coelho, indicando que eventuais alterações no cheiro da água se devem "apenas a um tratamento diferente, com cloro em vez de hipoclorito".
O presidente do município adiantou ainda que, na próxima segunda-feira, os serviços da autarquia deverão participar a situação ao Ministério Público (MP), solicitando que seja apurada a identidade dos autores da deposição das terras contaminadas naquele local, assim como há quanto tempo terá ocorrido o delito.
"Assim que soubermos isto, vamos exigir aos responsáveis o pagamento dos encargos da contratação da AdSA, porque alguém tem de ser responsabilizado", vincou.
Os terrenos junto ao complexo da Repsol, numa área gerida pela Aicep Global Parques, foram objecto de uma "deposição clandestina", da qual já foram movimentadas "50 mil toneladas de terras com hidrocarbonetos", apontou esta semana o autarca à Lusa.
A situação foi detectada durante os trabalhos de terraplanagem para início da construção da fábrica da Artenius, ainda em Novembro, altura em que foram oficiadas as entidades competentes.
"Solicitámos às entidades que agissem e fizessem o que lhes competia, ou seja, análises ao solo e à água, e a avaliação de toda a situação. Não sabemos se foi feita alguma coisa e a câmara resolveu pedir a realização das suas próprias análises", sublinhou.
O resultado da primeira análise, segundo Manuel Coelho, chegou segunda-feira e apontou para "hidrocarbonetos totais acima do que é admissível legalmente", pelo que foi decidido suspender o abastecimento público de água a partir dos furos.
Posteriormente, novas análises apontaram "resultados negativos" no que respeita a hidrocarbonetos aromáticos e dissolvidos. Contudo, a suspensão do abastecimento mantém-se inalterada, como "precaução", por se desconhecer se existe "alguma fonte de contaminação activa".
Ministério do Ambiente, Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e Agência Portuguesa do Ambiente, entre outras entidades, foram já informadas pela segunda vez, aguardando agora a autarquia que "sejam tomadas medidas em relação ao destino a dar às terras contaminadas".
"Exigimos ainda que as empresas situadas na zona sejam proibidas de fazer furos nas suas áreas de fábrica, hipotéticos pontos de contaminação, e a remoção das centenas de toneladas de lamas oleosas depositadas no aterro da Maria da Moita", deu conta o autarca.
RE/RRL
Lusa/FIM