População de S. Tiago de Bougado contra agregação da freguesia a S. Martinho

Trofa, 01 nov (Lusa) - Os habitantes da freguesia de S. Tiago de Bougado, concelho da Trofa, manifestaram-se segunda-feira "contra" a agregação da freguesia à de S. Martinho argumentando com "razões históricas" e critérios de "coesão" e "equidade" entre as freguesias do concelho.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Reunidos numa "assembleia pública", promovida pela Junta de Freguesia de S. Tiago de Bougado, os habitantes da freguesia afirmaram estar "veemente" contra a agregação da freguesia à de S. Martinho de Bougado, como prevê o Documento Verde da Reforma da Administração Local.

A freguesia de S. Tiago tem cerca de 6400 habitantes, distribuídos por 14 quilómetros quadrados, e é uma das oito freguesias que compõe atualmente o concelho da Trofa, instituído em 1998.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de S. Tiago de Bougado, António Azevedo, explicou que "segundo o `Documento Verde` a Trofa está inserida nos concelhos de nível 2, pois tem mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado mas não atinge os 40 mil habitantes".

O "Documento Verde" prevê que "a sede do conselho, a cidade da Trofa, tenha apenas uma freguesia o que implica a agregação das freguesias de S. Tiago e S. Martinho de Bougado", explicou o autarca, o que "vai contra a vontade da população".

António Azevedo explicou que a "assembleia popular" da noite de segunda "serviu para os órgãos autárquicos, junta e Assembleia de Freguesia, ficarem a conhecer a real vontade da população sobre a anunciada agregação".

Assim, adiantou, "os membros da Assembleia de Freguesia não terão dúvidas em votar contra esta medida quando forem chamados a decidir".

Segundo o presidente da Junta de S. Tiago de Bougado a pretensão dos bougadenses de não se agregarem "tem razão de ser".

"Além das razões históricas apresentadas por muitos dos bougadenses há duas razões contra esta junção de freguesias que se devem salientar", afirmou, enumerando "primeiro a coesão do concelho e segundo a equidade entre as freguesias do concelho".

Caso a agregação "avance", explanou, "só a freguesia que resultaria teria metade da dimensão do concelho total uma vez que ficaria com 30 quilómetros e mais de 20 mil habitantes o que vai contra a coesão que se quer num concelho".

Além disso, apontou, "a equidade entre freguesias estaria também em causa uma vez que uma só freguesia teria mais peso do que todas as outras juntas, já que teria mais população".

António Azevedo explicou que S. Tiago tem "argumentos válidos" para recusar a agregação a S. Martinho: "a freguesia pode não ter escala, em termos de habitantes, mas tem dimensão para subsistir como uma só".

Questionado sobre as "formas de luta" contra o estipulado no "Documento Verde", o autarca afirmou que a "luta" cabe "aos órgãos eleitos pelos cidadãos".

"Como presidente da junta vou frisar a vontade dos bougadenses junto da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) e fazer tudo o que for possível para que a vontade da população seja respeitada", garantiu.

Tópicos
PUB