População de Silves manifesta-se contra encerramento do SAP durante a noite

A população de Silves manifesta-se em frente ao Centro de Saúde daquela cidade algarvia, em protesto contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) entre as 24:00 e as 8:00.

Agência LUSA /

A população e a Câmara de Silves estão contra o encerramento daquela unidade de saúde no horário nocturno.

Num comunicado enviado à Lusa em Novembro, a presidente da Câmara de Silves, Isabel Soares, considerou uma "violência estratégica" a decisão de encerrar o SAP de Silves no período da noite e afirmou ser uma opção que contraria a Constituição da República, "que define que todos têm o direito à protecção da Saúde".

Fechar o SAP entre as 24:00 e as 08:00 no segundo maior concelho do distrito de Faro - 35 mil habitantes - é "colocar em risco a vida de milhares de pessoas" e "contrariar as sugestões da Organização Mundial da Saúde que preconiza cuidados de saúde mais próximos das populações", justifica a autarca social-democrata.

Isabel Soares defende também, num comunicado enviado quarta- feira à Lusa, que a "vida de cada um não é algo susceptível de ser avaliado, ou medido, em termos financeiros e que, pelo critério de distância, o SAP de Silves não pode encerrar".

O executivo camarário de Silves, em Novembro, acusava o Ministério de Saúde, que tutela a ARS do Algarve, de estar a tomar uma "atitude economicista" e garantia que empenharia todos os esforços para evitar que o SAP de Silves fosse "saqueado por razões económicas".

O SAP de Silves atende de noite, em média, sete utentes, um número muito baixo, porque não "chega a haver um doente por hora", disse à Lusa o director da ARS do Algarve, Rui Lourenço.

O Ministério da Saúde e as administrações regionais de Saúde estão a trabalhar na requalificação da rede de urgências e emergências a nível nacional, explicou Rui Lourenço.

Segundo o director da ARS, o que está em causa não são cuidados de proximidade, mas sim criar uma rede com mais espaços onde "as pessoas sejam atendidas com qualidade, se estiverem em situações de emergência", adiantou.

A rede de emergência actual no Algarve apenas contempla duas unidades hospitalares: o serviço de urgência do Hospital Distrital de Faro e o Centro Hospitalar do Barlavento, na zona ocidental do distrito (Portimão, Lagos).

A requalificação da rede propõe que "todos os cidadãos portugueses têm de estar em menos de uma hora na rede de urgências e emergências para "aumentar os cuidados de saúde".

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