Portas responde com "silêncio" a acusação de populismo
O ex-líder do CDS/PP Paulo Portas escusou-se sexta-feira a comentar as declarações do social-democrata José Miguel Júdice, que o qualificou como "populista", recusando-se a quebrar o "silêncio" a que diz ter-se remetido.
"Desde que houve eleições antecipadas, que eu perdi por pouco, decidi remeter-me à posição que acho que o eleitorado indicou, ou seja, ser discreto e reservado e assim me mantenho. E não quero quebrar esse silêncio, muito menos por insólitos de natureza partidária", disse aos jornalistas, na apresentação do candidato democrata-cristão à Câmara de Odivelas, João Rebelo.
Em declarações quinta-feira na apresentação do programa da candidata do CDS-PP à autarquia lisboeta, José Miguel Júdice (mandatário de Maria José Nogueira Pinto) chamou "populista" a Paulo Portas, uma referência que indignou ex-dirigentes do CDS/PP presentes na sala como António Pires de Lima e Telmo Correia.
"Se olharmos para as últimas eleições, em que o CDS se apresentou em Lisboa com um candidato populista com um traquejo oposicionista, vemos que não será fácil", afirmou José Miguel Júdice, referindo-se ao ex-líder do CDS/PP.
Questionado sobre o momento político do país, Paulo Portas respondeu: "Preocupa-me com certeza o país, mas entendo que a minha atitude deve ser esta, foi isto que o eleitorado disse e eu gosto de cumprir. Quando entender, se entender, intervir di-lo-ei", frisou.
As declarações de Júdice mereceram, de resto, referência velada nas principais intervenções do jantar de apresentação da candidatura autárquica do deputado João Rebelo.
Logo no início da sua intervenção, o próprio candidato do CDS/PP à Câmara de Odivelas sublinhou, falando directamente para Paulo Portas: "ninguém subirá a este palco para vir dizer mal de si".
O presidente do partido, Ribeiro e Castro, que subiu ao palco depois, solidarizou-se também com o seu antecessor, referindo o seu "agrado em vestir a farda do populista de turno".
"Visto-a com muito orgulho e com muita honra", salientou.
Na sua intervenção, Ribeiro e Castro voltou a desafiar o primeiro-ministro a apresentar uma moção de confiança no Parlamento e a defender a necessidade de o Presidente da República, Jorge Sampaio, se pronunciar sobre os últimos acontecimentos políticos, nomeadamente a exoneração do ministro das Finanças.
Para José Ribeiro e Castro, é necessário "restabelecer a confiança externa do país", que "está seriamente abalada", e recuperar também "um mínimo de confiança funcional no governo".
O candidato democrata-cristão ao município de Odivelas prometeu travar "licenciamento de mais habitação" no concelho limítrofe de Lisboa e criticou os "gastos de campanha astronómicos" dos seus adversários do PS e do PSD, que - disse - "transformaram Odivelas num estendal de cartazes".