Porto, Lisboa e Setúbal com 60% dos casos de tuberculose

Os distritos de Lisboa, Setúbal e Porto registam 60 por cento dos casos de tuberculose em Portugal, sendo o Porto o que tem maior incidência de casos, foi hoje revelado no Congresso Nacional de Doenças Infecciosas.

Agência LUSA /

Mota Miranda, presidente do encontro, que decorre no Porto, em simultâneo com o Congresso Nacional sobre Sida, referiu que a taxa média nacional é de 31 por cada 100 mil habitantes, enquanto no Porto a taxa sobe para 54 por 100 mil habitantes.

"A tuberculose é uma manifestação de pobreza social, cultural e económica" associada, na maioria dos casos "à Sida, à toxicodependência e à imigração", explicou Mota Miranda.

Em declarações à Lusa, o especialista defendeu a necessidade de fazer "um investimento numa planificação que leve a uma abordagem correcta em termos de tuberculose, nomeadamente ao nível do tratamento, que deveria ser feito sob observação directa, e no rastreio de casos secundários, detectáveis em conviventes e `contactantes`".

"É obrigatório investir no diagnóstico precoce, criar estruturas próprias onde os doentes possam ser tratados e seguidos e motivá-los para uma adesão adequada ao tratamento", alertou.

O especialista realçou o facto da tuberculose ser "uma doença curável, em seis meses e, sobretudo, com medicamentos que são baratos".

Num painel sobre "Infecção lactente", Margarida Tavares, do Serviço de Doenças infecciosas do Hospital de S. João do Porto, sublinhou que apesar de Portugal ter registado um decréscimo de notificações, a verdade é quem em 2005 "foram registados 3.300 novos casos e 240 retratamentos".

"Só os distritos os Porto, Setúbal e Lisboa registam 60 por cento dos casos de tuberculose em Portugal", disse a especialista sugerindo "a implementação de medidas de combate também de cariz regional".

Frisou que a tuberculose continua a ser "um problema de saúde pública muito importante em Portugal".

Também o coordenador do Programa de Luta Contra a Tuberculose, da Direcção-Geral de Saúde, realçou o facto de Portugal registar valores "muito superiores" à média europeia.

Portugal surge em quarto lugar, depois da Lituânia, Letónia e Estónia.

Contudo, segundo Fonseca Antunes, em 2005 a ocorrência de casos novos de tuberculose em Portugal foi de 31 por 100 mil habitantes, o que "corresponde a uma taxa de redução da incidência que oscila entre 4,5 a seis por cento, na última década".

Esta redução deve-se, sobretudo, "à eficácia das medidas de controlo, uma vez que a doença só por si não tende a diminuir".

Intervindo sobre "Epidemiologia da tuberculose em Portugal", Fonseca Antunes, defendeu também que as medidas de controlo mais importantes se resumem à detecção, o mais precoce possível, dos casos e ao tratamento rigoroso e supervisionado até à cura.

Considerou ainda que "o nível elevado de tuberculose que ainda existe deve-se ao tempo que as pessoas permanecem doentes com capacidade de infectarem outras antes de serem detectadas e tratadas".

Esta doença infecciosa que atinge, preferencialmente, os pulmões manifesta-se através de tosse, podendo estar associada à expectoração, cansaço, febre e sudação nocturna.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a tuberculose como uma emergência global, com nove milhões de casos anuais.

A OMS delineou o Plano Global Stop Tuberculose 2006-2015 que visa reduzir a mortalidade até 2015 e erradicar a doença até 2050.

Os congressos nacionais de Doenças Infecciosas e Sobre Sida decorrem até quarta-feira.


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