Portugal admite mais fiscalização por causa de carne suspeita do Brasil

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Chama-se “Carne Fraca” a megaoperação que colocou sob suspeita a carne no Brasil, país de onde Portugal importou 524 toneladas no último ano, equivalentes a um total de 3,44 milhões de euros. Os comerciantes portugueses garantem que é pouca a quantidade de carne brasileira que chega ao país. A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assegura que está a acompanhar o caso e admite adotar “medidas de controlo adicionais caso a evolução da situação o justifique”.

Portugal importou em 2016 524.519 quilos de carne do Brasil, equivalentes a 3,44 milhões de euros, isto de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), avança esta-terça-feira o jornal Público.

De carne de bovino congelada foram 2,29 milhões de euros (equivalente a 284.812 quilos), a que se soma 1,02 milhões de euros (284.812 quilos) de carne fresca ou refrigerada de vaca e 85,1 mil euros de carne fresca, refrigerada ou congelada de aves (52.008 quilos).

Os comerciantes de carne em Portugal garantem que é pouca a carne brasileira que chega ao nosso país. Já as autoridades portuguesas asseguram que estão a acompanhar a situação e admitem aumentar a fiscalização.

“As autoridades portuguesas e as Europeias, incluindo a Comissão, acompanham a evolução da situação no Brasil com a maior atenção e adotarão medidas de controlo adicionais caso a evolução da situação o justifique”, pode ler-se no comunicado da DGAV.
Nenhum caso "não satisfatório"
“Durante o ano de 2016 foram exportadas 853.000 remessas de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia, 184 das quais apresentaram não conformidades (0,02%) detetadas pelas autoridades dos países importadores. A maior parte dessas não conformidades não eram de natureza sanitária, tratando-se, por exemplo, questões de rotulagem e preenchimento de certificados”, acrescenta o comunicado.

“Sempre que se deteta uma remessa “não satisfatória” os produtos não são autorizados a entrar no Mercado Europeu, sendo de imediato destruídos ou reexpedidos para a origem, caso seja essa a vontade manifestada pelo exportador e desde que não exista risco sanitário”, refere a mesma nota.A Direção Geral de Alimentação e Veterinária refere ainda que no caso de Portugal, em 2016, “foram recebidas 363 remessas de produtos de origem animal provenientes do Brasil”. Todas foram submetidas a controlos de identidade e documental nos Postos de Inspeção Fronteiriços, não se tendo registado nenhum caso classificado como “não satisfatório”.

O comunicado explica ainda que na União Europeia qualquer controlo à importação que dê resultados “não satisfatórios” dá origem a uma notificação no sistema RASFF (Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Alimentos para Animais), que obriga automaticamente ao reforço das medidas de controlo nos Postos de Inspeção Fronteiriços Europeus.

Marinela Lourenço, da Federação Nacional de Comerciantes de Carnes, disse à RTP que a carne que se importa do Brasil é "muito pouca. Tem uma expressão muito reduzida. Importamos mais do Uruguai e da Argentina".


A operação “Carne Fraca” revelou alegados esquemas de corrupção envolvendo empresas, fiscais e inspetores sanitários daquele que é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo e já levou à suspensão de 21 empresas.

Esta semana a polícia federal do Brasil realizou uma grande operação contra a venda ilegal de carne para desarticular uma organização criminosa formada por grandes empresas do ramo alimentar que supostamente pagavam a fiscais federais para libertarem produtos sem verificação.

De acordo com o Público, a BRF, uma das empresas citadas na investigação brasileira, exportava carne para Portugal, através da marca Sadia. Apesar dos números elevados, no ano passado Portugal importou do Brasil apenas cerca de um quinto da carne que tinha comprado ao país em 2010, ano em que terão chegado aos consumidores nacionais 2.360.170 quilos de carne de bovino e de aves, num valor total de 8,88 milhões de euros.
Proteção de grupos empresariais
A imprensa brasileira dá conta de escutas policiais para informar que as empresas envolvidas chegaram até a alterar produtos para vender carne estragada do Brasil para o exterior.

Em comunicado, a Polícia Federal explicou que "a operação detetou, em quase dois anos de investigação, que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais, em detrimento do interesse público".

Entretanto, a Comissão Europeia garantiu que está a acompanhar a investigação a fraudes envolvendo produtos animais de consumo e que todas as empresas envolvidas estão impedidas de exportar para a União Europeia.

"A Comissão está informada sobre a investigação que decorre no Brasil e pediu, na sexta-feira, clarificações às autoridades brasileiras", disse o porta-voz do executivo comunitário para a saúde, Enrico Brívio, na conferência de imprensa diária.

Bruxelas diz que garantirá que todas as empresas envolvidas na fraude estão impedidas de exportar para a União Europeia, e que já pediu aos Estados-membros para aumentarem os controlos sobre a carne vinda do Brasil.

"A Comissão está neste momento a assegurar-se de que todas as empresas implicadas na fraude estão impedidas de exportar para a União Europeia. No entanto, é importante dizer que até agora não houve alertas específicos no mercado europeu quanto a carne brasileira", concluiu Enrico Brívio.

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