País
Portugal autoriza nascimento de primeiro "bebé-medicamento"
Um casal pediu para ter um bebé que possa depois doar medula a uma filha de cinco anos com leucemia. A transferência de embriões foi realizada numa clínica do Porto, mas ainda não se sabe se resultou em gravidez. A notícia do jornal Público adianta que há já um outro pedido autorizado.
A transferência de embriões selecionados em laboratório foi feita recentemente e como tal ainda não se sabe se resultou em gravidez. A acontecer, seria o primeiro caso de um “bebé-medicamento” no país, assim chamado porque o bebé vai ajudar no tratamento de irmãos doentes.
O pedido, autorizado pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), foi feito por um casal português, que tem uma filha com cinco anos, com leucemia linfoblástica.
Os dois primeiros pedidos deste género entraram no CNPMA no ano passado, avança o Público. As duas situações foram autorizadas porque estariam esgotadas outras possibilidades de tratamento para os filhos doentes e o risco de saúde dos irmãos “era elevado”, explicou ao jornal Eurico Reis, presidente do CNPMA.
Num dos pedidos autorizados já houve transferência de embriões. O outro caso ainda não avançou. Há um terceiro pedido, mas em que o CNPMA ainda não se pronunciou.
O procedimento denomina-se “diagnóstico genético pré-implantação”. Os embriões obtidos em laboratório, por fecundação in vitro, são analisados geneticamente e feita uma escolha com base nessa informação. Os embriões selecionados são então transferidos para o útero da mulher.
Técnica permitida para casos excecionais
A técnica de “diagnóstico genético pré-implantação”, é permitida apenas por razões médicas e em poucas situações, como casos em que há risco de transmissão de anomalias ou doenças genéticas graves (por exemplo, paramiloidose, a “doença dos pezinhos”), sendo transferidos apenas os embriões não portadores da doença.
A lei que regula a procriação medicamente assistida, de 2006, no entanto, abre a porta aos “bebés-medicamento” em situações excecionais: quando seja ponderosa a necessidade (…) para efeitos de tratamento de doença grave”, cita o Público.
Em causa, casos em que há um filho anterior do casal afetado por cancro ou doença genética, passível de ser curada por transplantação de células estaminais do sangue do cordão umbilical de um irmão compatível ou em que é expectável que a vida da criança doente possa ser prolongada com a transplantação.
“A lei diz que só em último caso. Só se não houver outras soluções possíveis”, explica Eurico Reis. “A vontade do legislador é restritiva”, sublinha o responsável ao jornal diário.
“Instrumentalização?”
Um relatório de 2007 do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida aborda esta questão do “bebé-medicamento”.
Nele se fala do perigo de instrumentalização, já que o embrião que irá gerar o bebé só é implantado no útero da mulher se for compatível com o ser humano a quem se destinam as células para tratamento. Coloca-se assim a quesEspecialistas defendem que devem ser feitos mais estudos para compreender os efeitos psicológicos positivos e negativos nos irmãos dadores.tão de os filhos dadores poderem ficar “marcados pelo facto de terem sobrevivido porque eram úteis”.
Já o especialista de bioética Bryn Williams-Jones, da Universidade de Montréal , no Canadá, relativiza esta questão, dizendo que “não há razão para que seja menos amado simplesmente porque foi instrumento para a cura de outro filho”, lembrando que, muitas vezes, a decisão de ter um filho não é puramente altruísta, mesmo quando a questão médica está fora da decisão.
Primeiro “bebé-medicamento” nasceu nos Estados Unidos
Foi em 2001, e o bebé veio tratar Molly Nash, que na altura tinha seis anos e sofria de anemia de Franconi, uma deficiência rara na medula óssea. Neste caso, os embriões foram escolhidos para rastrear a doença em si, escolhendo-se apenas aqueles que não eram portadores da anemia de Franconi e, desses, num segundo critério, foram escolhidos por serem compatíveis com a irmão doente. Adam Nash foi, assim, o primeiro “bebé-medicamento” do mundo.
Michelle Whitaker, diz que se arrepia quando chamam a estas crianças “bebé-medicamento”., Realça que prefere chamar ao seu filho Jamie, nascido em 2003, “bebé –salvador”.
Numa entrevista ao The Guardian, o pai, Jayson sublinha que “é fácil evocar polémicas éticas quando nós próprios não somos confrontados com o problema”. Michelle termina o pensamento, considerando que nunca se iriam perdoar se não tivessem feito tudo o que era possível para salvar o filho doente.
O pedido, autorizado pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), foi feito por um casal português, que tem uma filha com cinco anos, com leucemia linfoblástica.
Os dois primeiros pedidos deste género entraram no CNPMA no ano passado, avança o Público. As duas situações foram autorizadas porque estariam esgotadas outras possibilidades de tratamento para os filhos doentes e o risco de saúde dos irmãos “era elevado”, explicou ao jornal Eurico Reis, presidente do CNPMA.
Num dos pedidos autorizados já houve transferência de embriões. O outro caso ainda não avançou. Há um terceiro pedido, mas em que o CNPMA ainda não se pronunciou.
O procedimento denomina-se “diagnóstico genético pré-implantação”. Os embriões obtidos em laboratório, por fecundação in vitro, são analisados geneticamente e feita uma escolha com base nessa informação. Os embriões selecionados são então transferidos para o útero da mulher.
Técnica permitida para casos excecionais
A técnica de “diagnóstico genético pré-implantação”, é permitida apenas por razões médicas e em poucas situações, como casos em que há risco de transmissão de anomalias ou doenças genéticas graves (por exemplo, paramiloidose, a “doença dos pezinhos”), sendo transferidos apenas os embriões não portadores da doença.
A lei que regula a procriação medicamente assistida, de 2006, no entanto, abre a porta aos “bebés-medicamento” em situações excecionais: quando seja ponderosa a necessidade (…) para efeitos de tratamento de doença grave”, cita o Público.
Em causa, casos em que há um filho anterior do casal afetado por cancro ou doença genética, passível de ser curada por transplantação de células estaminais do sangue do cordão umbilical de um irmão compatível ou em que é expectável que a vida da criança doente possa ser prolongada com a transplantação.
“A lei diz que só em último caso. Só se não houver outras soluções possíveis”, explica Eurico Reis. “A vontade do legislador é restritiva”, sublinha o responsável ao jornal diário.
“Instrumentalização?”
Um relatório de 2007 do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida aborda esta questão do “bebé-medicamento”.
Nele se fala do perigo de instrumentalização, já que o embrião que irá gerar o bebé só é implantado no útero da mulher se for compatível com o ser humano a quem se destinam as células para tratamento. Coloca-se assim a quesEspecialistas defendem que devem ser feitos mais estudos para compreender os efeitos psicológicos positivos e negativos nos irmãos dadores.tão de os filhos dadores poderem ficar “marcados pelo facto de terem sobrevivido porque eram úteis”.
Já o especialista de bioética Bryn Williams-Jones, da Universidade de Montréal , no Canadá, relativiza esta questão, dizendo que “não há razão para que seja menos amado simplesmente porque foi instrumento para a cura de outro filho”, lembrando que, muitas vezes, a decisão de ter um filho não é puramente altruísta, mesmo quando a questão médica está fora da decisão.
Primeiro “bebé-medicamento” nasceu nos Estados Unidos
Foi em 2001, e o bebé veio tratar Molly Nash, que na altura tinha seis anos e sofria de anemia de Franconi, uma deficiência rara na medula óssea. Neste caso, os embriões foram escolhidos para rastrear a doença em si, escolhendo-se apenas aqueles que não eram portadores da anemia de Franconi e, desses, num segundo critério, foram escolhidos por serem compatíveis com a irmão doente. Adam Nash foi, assim, o primeiro “bebé-medicamento” do mundo.
Michelle Whitaker, diz que se arrepia quando chamam a estas crianças “bebé-medicamento”., Realça que prefere chamar ao seu filho Jamie, nascido em 2003, “bebé –salvador”.
Numa entrevista ao The Guardian, o pai, Jayson sublinha que “é fácil evocar polémicas éticas quando nós próprios não somos confrontados com o problema”. Michelle termina o pensamento, considerando que nunca se iriam perdoar se não tivessem feito tudo o que era possível para salvar o filho doente.