Portugal com cerca de 70 militares na nova estrutura de comandos
Lisboa, 09 mai (Lusa)- Portugal vai ter 70 militares na nova estrutura militar da NATO, tendo conseguido um lugar permanente no comando aéreo (CAOC) de Torréjon, em Espanha, e colocar um oficial-general como representante do Comandante Supremo Aliado (SACEUR).
O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), que anunciou os novos "postos-bandeira" ("post to flag", em inglês) portugueses na Aliança Atlântica num encontro com jornalistas na terça-feira, explicou que "houve uma luta muito grande entre as nações" nas negociações, que terminaram na semana passada.
"Foi o que conseguimos e estou extremamente satisfeito, o trabalho não foi meu, foi de todos nós", afirmou o general Luís Araújo.
Caberá a um tenente-general português (duas estrelas) a função de representante do SACEUR (o principal comandante operacional) no Comité Militar da NATO, alternando com a Holanda.
Portugal coloca ainda, em rotação com o Canadá, um major-general (uma estrela) como vice-chefe do Estado-Maior para o planeamento no comando marítimo da NATO em Northwood, no Reino Unido.
"Um cargo disputadíssimo", afirmou o CEMGFA.
De acordo com as novas colocações, Portugal passará também a ter um major-general (uma estrela) permanentemente como diretor das operações aéreas no CAOC da NATO em Torréjon, além de comandar (em alternância com a Roménia) o Centro de Lições Aprendidas, sediado em Monsanto e liderado atualmente por um general dinamarquês.
No total serão "à volta de 70" militares portugueses integrados na nova estrutura militar da NATO, com um custo individual "de cerca de 100 mil euros anuais" - 7 milhões de euros no total.
Na reunião com jornalistas, o general português revelou ainda que a Escola de Comunicação e Informações da NATO, que vem para Lisboa, começará a funcionar em 2015, com "um custo a rondar os 25 milhões de euros", dividido pelos 28 países-membros da organização.
Relativamente às Forças Nacionais Destacadas, Luís Araújo disse já ter um plano para 2013 e apontou como prioridades as missões no Afeganistão, no Kosovo e no Índico.
O principal chefe militar adiantou que "há a possibilidade de Portugal comandar novamente a força naval" da Operação Atalanta, a missão de combate à pirataria da União Europeia, mas que é preciso ver o dinheiro que há disponível".
"Acho que era importante para nós, para o prestígio do país e da nossa Marinha", defendeu.
"Estamos a trabalhar no sentido de, ainda é uma hipótese, constituirmos um pequeno grupo, dois ou três oficiais, para ajudarmos a edificar as capacidades de uma guarda costeira na zona da Somália e dos países mais próximos", revelou ainda.