Portugal defende sanções do Conselho Segurança a mais golpistas

Nova Iorque, 21 jun (Lusa) - Portugal quer ver alargada na lista de sanções do Conselho de Segurança para a Guiné-Bissau mais indivíduos envolvidos no golpe de Estado de abril, disse à agência Lusa o embaixador de Portugal na ONU.

Lusa /

Moraes Cabral falou após uma reunião fechada do Conselho de Segurança, na quarta-feira nas Nações Unidas, sobre o comité de sanções, agora constituído e que será presidido pelo embaixador de Marrocos na ONU, Mohamed Loulichki.

"Vamos tentar trabalhar ativamente no comité com os nossos parceiros e presidência para que a resolução seja implementada de uma maneira eficaz e credível", disse o diplomata português.

"Será porventura necessário para isso que a lista [de sanções] que tem cinco indivíduos seja alargada", adiantou.

Segundo um diplomata do Conselho de Segurança, a primeira reunião do comité de sanções para a Guiné-Bissau, criado pela resolução 2048, terá lugar dentro de uma a duas semanas.

A resolução obriga todos os 193 Estados membros da ONU a bloquear a entrada ao general António Indjai, chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas considerado mentor do golpe de 12 de abril, e outros quatro oficiais envolvidos.

No final de maio, a União Europeia decidiu reforçar as sanções contra o comando militar da Guiné-Bissau, acrescentando 15 pessoas à lista de indivíduos proibidos de entrar no espaço comunitário e sujeitos ao congelamento de bens na Europa.

Entre os mais recentes sancionados estão um general, três coronéis, um capitão naval, três tenentes-coronéis, dois majores, dois comandantes navais, um capitão e dois tenentes.

Com base nas informações que levaram à atualização da lista elaborada pela União Europeia, afirma Moraes Cabral, "depois se verá se há condições, se é útil alargar esse tipo de lista".

"Acho que sim, mas temos de trabalhar com os nossos colegas", adiantou.

Sobre os efeitos das sanções, que já foram menosprezados por alguns dos visados que afirmam não terem bens no estrangeiro, o diplomata português sublinha que são uma "expressão inequívoca da vontade internacional de os sancionar".

Através de nova resolução, o Conselho de Segurança pode também agravar o tipo de sanções, usando as modalidades de congelamento de ativos e mesmo de embargo de armas.

Para Moraes Cabral é uma possibilidade que terá de ser "apreciada em termos da evolução" da situação no terreno.

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