Portugal despede-se de Mário Soares: a síntese de um dia de homenagens

Começaram as cerimónias fúnebres, com honras de Estado, de Mário Soares. No primeiro de três dias de luto nacional decretados pelo Governo, o corpo do antigo Presidente foi transportado em cortejo para o Mosteiro dos Jerónimos. Durante o trajeto, milhares de pessoas quiseram homenagear Soares. As homenagens continuaram no mosteiro durante a tarde. Na terça-feira, a urna segue rumo ao Cemitério dos Prazeres.

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Passavam poucos minutos das 11h00 quando a urna de Mário Soares chegou à rua onde o histórico socialista cresceu. As homenagens ao ex-Presidente tinham já começado junto à porta do prédio da família Soares: amigos, vizinhos e admiradores foram depositando flores, especialmente rosas vermelhas.

Ao longo de toda a manhã aguardaram pela chegada do cortejo fúnebre. Também os filhos João e Isabel Soares aguardaram em casa a chegada da urna, rodeados de amigos.
Margarida Neves de Sousa, Nuno Tavares, Guilherme Brízido - RTP

O arranque do cortejo fúnebre foi feito ao som de aplausos dos populares que aguardavam a chegada da urna de Mário Soares, coberta com a bandeira portuguesa.

A 200 metros da residência da família Soares, o Colégio Moderno foi também local de paragem do cortejo fúnebre, onde esteve cerca de cinco minutos para que os populares e alunos do Colégio pudessem saudar o corpo do antigo Presidente.

Os alunos e funcionários do Colégio Moderno prestaram, também eles, uma última homenagem. A rua que tem o nome do fundador da instituição e pai de Mário Soares encheu-se de palmas.
Rita Marrafa de Carvalho, Pedro Pessoa - RTP
Rumo à Praça do Município
Do Campo Grande, o cortejo, com escolta de cerca de 30 motos da GNR, seguiu para a Praça do Município, onde chegou poucos minutos depois das 11h30.

A urna de Mário Soares foi recebida pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, por vereadores do executivo e outros autarcas e ainda pela família, representada pelos filhos João e Isabel Soares e pelos netos Jonas e Lilah Soares.

Na Praça do Município, a urna foi transladada para o armão da Guarda Nacional Republicana. Mário Soares dizia-se orgulhosamente republicano e, por isso, a transladação foi realizada nos Paços do Concelho, local onde se deu início à República em 1910.
Marina Conceição, Pedro Pessoa - RTP

Os netos mais novos de Mário Soares, Lilah e Jonas, foram responsáveis por entregar à GNR as insígnias atribuídas em vida ao avô: o Grande Colar da Ordem da Liberdade e o Grande Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Os mais altos graus, atribuídos apenas a chefes de Estado.

Os que rumaram à Praça do Município fizeram questão de aplaudir e realçar o que Soares fez por Portugal. O armão da GNR seguiu caminho com uma escolta de honra da GNR composta por 84 cavalos.
Chegada aos jerónimos
Depois da homenagem na Praça do Município, o corpo de Mário Soares seguiu em procissão até ao Mosteiro dos Jerónimos. Chegou pouco depois das 13h00, tendo sido aplaudido pelas centenas de pessoas que se encontravam já no local. “Soares é fixe”, gritava-se em Belém.

Nos Jerónimos, a urna foi para a Sala dos Azulejos, entrando de seguida a família, a ministra da Presidência, o presidente da Assembleia da República e o Presidente da República, que apresentaram os seus pêsames aos familiares.

Cento e trinta e um militares da GNR em parada prestaram as honras militares. Aos pés da urna foram depositadas coroas de flores em nome do Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e do Governo.
Sandra Sá Couto, Manuel Oliveira - RTP

Após a saída das altas individualidades, cerca das 13h40, os históricos socialistas Manuel Alegre e Miranda Calha, bem como a mãe do primeiro-ministro, Maria Antónia, foram dos primeiros a entrar na Sala dos Azulejos.

Procedeu-se à abertura da câmara ardente ao público, que permanece assim até à meia-noite de segunda-feira. Volta a abrir na terça-feira entre as 8h00 e as 11h00. Pelas 13h00 de terça-feira, a urna será transportada para os claustros do Mosteiro, onde se vai realizar uma sessão solene.

Pelas 14h00, a urna sairá dos Jerónimos, seguindo no armão da GNR. O cortejo fará breves paragens antes de chegar ao cemitério dos Prazeres.
Homenagens escritas
Da esquerda à direita. Anónimos e personalidades. Portugueses e estrangeiros. Esta segunda-feira voltou a ser marcada pelas múltiplas homenagens ao ex-Presidente Mário Soares.

Milhares de pessoas fizeram questão de passar pelo Mosteiro dos Jerónimos para homenagear Mário Soares. Os ex-Presidentes Jorge Sampaio e Ramalho Eanes, bem como os líderes partidários passaram por Belém.
Magda Rocha, Rui Magalhães - RTP

As homenagens fazem-se também por escrito. Centenas de pessoas já se deslocaram ao Largo do Rato para assinar o livro de condolências na sede do Partido Socialista. Embaixadores de todos os continentes também fizeram questão de deixar por escrito a homenagem àquele que é considerado o “pai da democracia portuguesa”.

Os livros de condolências continuam abertos nas sedes do Partido Socialista. As homenagens sucedem-se esta terça-feira.

O cortejo fúnebre de Mário Soares partiu cerca das 11h00 de segunda-feira da sua casa no Campo Grande e percorreu várias artérias da capital até chegar ao Mosteiro dos Jerónimos.

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