Portugal em 34º no "ranking" da UNESCO de "Educação para Todos"
Portugal ocupa a 34ª posição entre os 127 países analisados pela UNESCO no seu relatório mundial "Educação para Todos", divulgado em Brasília, que afere os índices de educação das populações.
A "posição" do país coloca-o entre os 41 - um terço do total pesquisado - que já alcançaram os objectivos de melhorar os índices de educação das suas populações até o ano de 2015, um compromisso assumido no Fórum Mundial de Educação, realizado em Dacar, no Senegal, em 2000.
No relatório hoje divulgado pela UNESCO - organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura -, a Guiné-Bissau e Moçambique surgem na "cauda" da tabela no que se refere a índices de educação, em 125/o e 121/o lugar, respectivamente.
Os países africanos de língua portuguesa - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe - estão, de resto, entre os 35 que não deverão alcançar as metas EFA.
Neste grupo que está longe de atingir os objectivos de Dacar, 22 países são da África subsaariana e outros três possuem grandes populações - Bangladesh, Índia e Paquistão.
"Será difícil mudar a realidade desses países. Enquanto não se conseguir colocar a educação como prioridade, não vamos conseguir sair de uma situação de atraso", assinalou Jorge Werthein, representante da UNESCO no Brasil.
O Brasil surge na 72/a posição, encontrando-se, por isso, numa posição intermédia no que respeita ao cumprimento das metas "Educação para Todos" (EFA), grupo que integra a maior parte dos países da América Latina e do Caribe.
"No Brasil a educação vai mal. Apesar de o país ter registado avanço em alguns indicadores, como aumento das taxas de matrícula e alfabetização, a qualidade da educação é ainda um problema. Somente quantidade não é suficiente", comentou Jorge Werthein.
Noruega, Dinamarca, Holanda, Coreia do Sul e Finlândia surgem, por esta ordem, no relatório da UNESCO como os países com os mais elevados índices de desenvolvimento em educação.
De acordo com a UNESCO, uma das características comuns detectadas nestes países com alto desempenho é a valorização dos professores, que recebem apoio através de investimentos e formação.
A divulgação do relatório mundial sobre "Educação para Todos", feita pela primeira vez no Brasil, contou com a presença do director geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros de Educação de cerca de 30 países, que participarão também, até ao próximo dia 10, na IV Reunião Mundial de Educação.
Paralelamente à IV Reunião Mundial de Educação, que tem por objectivo acelerar o impulso político constituído no Fórum Mundial de Dacar, haverá ainda em Brasília, nos dias 10 e 11, a reunião da iniciativa "Fast-Track" (FTI), evento promovido pela UNESCO em parceria com o Banco Mundial.
A FTI é uma iniciativa da comunidade internacional para mobilizar recursos financeiros a favor dos países mais pobres, com maior dificuldade em alcançar as metas de expansão e qualidade da educação.