Portugal necessita do dobro de anestesistas, alerta responsável

O presidente da Sociedade Portuguesa de Anesteseologia, Lucindo Ormonde, alertou hoje que o país necessita do dobro dos 1.200 médicos anestesistas que prestam actualmente serviço nas unidades de saúde.

Agência LUSA /

Em declarações à agência Lusa, à margem das III Jornadas de Anesteseologia do Algarve, Ilhas Atlânticas, Andaluzia, Extremadura e Norte de África (Marrocos), a decorrer nos Açores, Lucindo Ormonde salientou que, dentro de dez anos, "os anestesistas não serão necessários só nos blocos operatórios".

Os serviços de urgência, emergência, equipas de trauma, unidades de dor e blocos de parto terão a necessidade de contar, em permanência, com médicos anestesistas, sublinhou o presidente da Sociedade Portuguesa de Anesteseologia.

Lucindo Ormonde alertou, porém, que a anestesia constitui uma área em que se trabalha na fronteira da vida e da morte, o que exige profissionais altamente qualificados.

Por essa razão, "não pode haver facilidades na formação de anestesistas só porque no país, e em todo o mundo também, há necessidades urgentes" destes profissionais, adiantou Lucindo Ormonde, salientando que "a formação na especialidade de anestesia vai passar de quatro para cinco anos".

Há países europeus onde essa formação é de seis anos, acrescentou.

Luísa Gomes, chefe do serviço de anestesia do Hospital de Santo Espírito, em Angra do Heroísmo, anunciou na abertura das jornadas a criação, a curto prazo, da primeira "unidade de tratamento da dor aguda" nos Açores.

A unidade de dor aguda destina-se a tratar os doentes sujeitos a dores pós-operatórias, aos doentes dos serviços de urgência e aos internados com dor.

A especialista considerou ainda que, logo que o quadro de anestesistas do Hospital de Santo Espírito, que tem cinco anestesistas, esteja preenchido com mais quatro profissionais, será possível avançar para a criação dos serviços de "dor crónica" e "analgesia do trabalho de parto".

No primeiro semestre do corrente ano, o serviço de anestesia do Hospital de Santo Espírito, ilha Terceira, já realizou cerca 1.400 anestesias, mais 146 que em igual período do ano passado.

Nas jornadas, que decorrem até ao próximo sábado, participam cerca de três centenas de especialistas, que vão debater a anestesia em cirurgia vascular, obstetrícia, dor aguda, emergência e pediatria.

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