Portugal prevenido face à proibição de uso de aparelhos de medição com mercúrio

A proibição de utilização de mercúrio nos termómetros e aparelhos de medição arterial decretada terça-feira pelo Parlamento Europeu apanhou Portugal prevenido, apesar da desconfiança de alguns médicos e idosos em relação aos novos aparelhos digitais.

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O Parlamento Europeu aprovou terça-feira a proibição da utilização do mercúrio nos termómetros, medidores da pressão arterial e outros aparelhos de medição, por o mercúrio ser um metal muito tóxico.

O presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Mário Durval, disse à agência Lusa que os serviços do Estado já não têm aparelhos que utilizem o mercúrio, em resposta a uma "orientação nacional de há muitos anos".

Para Mário Durval, os aparelhos que surgiram para substituir o mercúrio são "fidedignos".

Opinião contrária tem o presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), Luís Martins, para quem os aparelhos que apareceram para substituir os de mercúrio merecem alguma desconfiança.

Luís Martins disse à Lusa que os aparelhos tradicionais de mercúrio estão sempre calibrados, o que não acontece com os alternativos, nomeadamente os digitais.

Quanto aos aparelhos para medição da pressão arterial, o presidente da SPH referiu que os aparelhos digitais para medição no pulso, que estão à venda no mercado português, não têm, na sua grande maioria, qualquer certificação, sendo difícil a sua calibração.

Para este especialista, "os aparelhos de pulso não prestam para nada" porque "não têm nenhuma fiabilidade".

Luís Martins referiu que em melhor situação estão os aparelhos que medem a pressão arterial no braço, adiantando que neste caso há no mercado mais marcas certificadas.

O médico explicou ainda que os aparelhos de medição no braço são mais fidedignos que os de pulso, porque medem a pressão na artéria branquial, sobre a qual recai a ciência em torno destas medições.

Mesmo com a utilização destes aparelhos, torna-se necessário confirmar as medições com outros e depois fazer a média, adiantou Luís Martins.

Apesar de reticente, este especialista acredita que a tecnologia vai resolver a falta de rigor dos novos aparelhos.

Também a população mais idosa receia os novos termómetros e aparelhos de medição da pressão arterial, de acordo com uma ronda feita por farmácias fora do distrito de Lisboa.

A farmacêutica Ana Maria Rico da Farmácia Central, em Coimbra, disse à Lusa que há muitos anos que os aparelhos com mercúrio têm vindo a ser substituídos, afirmando que desde o início de 2006 que já não tem nenhum.

"É muito difícil que os idosos aceitem os novos termómetros digitais", contou à Lusa a farmacêutica, adiantando que se verifica o contrário com as gerações mais novas, que só querem aparelhos digitais, por serem de medição mais rápida.

A farmacêutica Mariana Paisana da Farmácia Silveira, em Beja, disse também à Lusa que há cerca de dois anos que não tem à venda aparelhos com mercúrio e que "há muita resistência nas pessoas mais idosas".

O Infarmed - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento - emitiu em 08 de Maio de 2002 (data da última nota informativa) - uma nota que pedia para que fosse evitado o uso e aquisição de termómetros de mercúrio.

De acordo com o porta-voz do Infarmed, já não há farmácias que tenham para venda aparelhos com mercúrio.

Apesar de também já não existirem em farmácias, continuam ainda à venda nas grandes superfícies comerciais termómetros de banho com mercúrio.


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