País
Portugal tem das classes docentes mais envelhecidas da OCDE
Portugal é dos países onde o corpo docente está mais envelhecido, com uma elevada percentagem de professores com mais de 55 anos, e a profissão tende a ser menos atrativa e pouco reconhecida pela sociedade. Os dados são de um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que indica que quanto aos estudantes, há progressos na escolarização, mas há ainda 36 por cento da população portuguesa que não completou o ensino secundário.
O relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico Education at a Glance é apresentado, esta terça-feira de manhã, em Lisboa.
A qualidade dos sistemas educativos depende da qualidade dos professores, mas nos países da OCDE, está a tornar-se cada vez mais difícil atrair, desenvolver e manter docentes mais bem qualificados. E o relatório concluiu que a “escassez de professores afeta a maioria dos sistemas educacionais”, de diferentes formas.
Por exemplo, na Letónia e no Luxemburgo, “cerca de 4 por cento de todos os cargos docentes no ensino secundário estavam vagos no início do ano letivo de 2024/25” e, na maioria dos outros países, “essa proporção ficou abaixo de 3 por cento”.
Mas as vagas por preencher são apenas “um dos indicadores de escassez de professores”, visto que os sistemas educativos estão dependentes de profissionais que “ainda não atendem a todos os requisitos nacionais de qualificação”, no ano letivo 2024/2025, 9 por cento dos professores do básico e do secundário não tinham qualificação completa, na média dos países da OCDE.
“O envelhecimento do corpo docente tende a agravar ainda mais essa escassez. Em toda a OCDE, um em cada quatro professores do ensino secundário tem 55 anos ou mais, o que aponta para uma redução significativa da força de trabalho nas próximas décadas”, indica o relatório, que adverte para a necessidade de, em breve, “substituir os professores que deixam a profissão e garantir a contratação de novos profissionais nas disciplinas e regiões onde a escassez é maior”.
Envelhecimento da profissão em Portugal
Portugal é um dos países em que é particularmente acentuado o envelhecimento do corpo docente, com um número elevado de professores com 55 anos ou mais - a média da OCDE é de 37 por cento. À semelhança da Grécia, no sistema educativo português há “um rápido envelhecimento da força docente entre 2015 e 2024”: 38 por centos dos professores do ensino secundário tinha 55 anos ou mais.
“Na Lituânia, Letónia e Estónia, cerca de quatro em cada dez professores do ensino básico e secundário têm agora 55 anos ou mais, um aumento em relação aos cerca de três em cada dez em 2015, enquanto Portugal e Grécia registam também um rápido envelhecimento da força de trabalho entre 2015 e 2024”.
A somar a esse indicador, há ainda diferença entre escolas públicas e privadas quanto ao impacto do absentismo dos professores, revelando-se em maiores dificuldades do setor público para substituir docentes ausentes ou garantir a continuidade pedagógica.
A nível da profissão, a atratividade e a valorização também são indicadores que se destacam: 67 por cento dos professores em Portugal tinham emprego permanente, uma percentagem inferior à observada em muitos outros países; cerca de 21 por cento estavam em contratos temporários de um ano ou até menos.
“O emprego permanente é menos prevalente na Costa Rica (56 por cento), no Brasil (63 por cento), nos Estados Unidos (66 por cento), em Portugal (67 por cento) e em Espanha (69 por cento), onde uma maior proporção de professores trabalha com contratos temporários”, refere o relatório.
Aliás, mais de um em cada cinco professores trabalha com contratos de curta duração nos Estados Unidos, na Comunidade Francesa da Bélgica, em Espanha, na Costa Rica, em Itália, na Colômbia e em Portugal.Carreira docente
Um dos pontos referidos no relatório é sobre os salários. Portugal está entre os países onde os salários estatutários dos professores excedem em mais de 60 por cento o salário inicial, dependendo do ponto da carreira considerado no indicador.
Portugal está entre os países em que os salários efetivos dos professores são superiores aos rendimentos dos trabalhadores com formação terciária. Contudo, entre os países com dados comparáveis, o nosso país está entre os que viram os salários dos professores a diminuir 10 por cento ou mais em termos reais em determinados pontos da carreira no período analisado.
Os professores portugueses têm ainda a redução da carga letiva, em função da idade e dos anos de serviço. Mas em termos práticos, o tempo que têm de permanecer na escola é superior no ensino secundário relativamente a outros níveis, estando Portugal entre os países onde essa diferença é particularmente significativa.
Aliás, segundo este relatório, docentes mais experientes, ou com mais anos de carreira, referem dedicar mais tempo a determinadas tarefas do que professores no início da carreira - diferença que ultrapassa uma hora.
Aliás, segundo este relatório, docentes mais experientes, ou com mais anos de carreira, referem dedicar mais tempo a determinadas tarefas do que professores no início da carreira - diferença que ultrapassa uma hora.
Comparativamente a outras profissões, os docentes portugueses dizem trabalhar, em média, 3,9 horas menos por semana do que trabalhadores com níveis de escolaridade semelhantes.
Quase 80 por cento dos professores portugueses indicam que a carga ou quantidade de tarefas associadas ao trabalho docente constitui uma fonte de stress “em alguma medida” ou “muito”. O valor é particularmente elevado em comparação com a média da OCDE.
Quanto à valorização da carreira, apenas 9 por cento dos professores portugueses consideram que a profissão docente é valorizada pela sociedade. No relatório, esta percentagem é comparada com valores muito superiores noutros países da OCDE.
É preciso referir ainda que uma grande maioria, cerca de 91 por cento dos professores portugueses, admite lidar regularmente com comportamentos perturbadores dos alunos, uma das percentagens mais elevadas do conjunto analisado.
É preciso referir ainda que uma grande maioria, cerca de 91 por cento dos professores portugueses, admite lidar regularmente com comportamentos perturbadores dos alunos, uma das percentagens mais elevadas do conjunto analisado.
Escolaridade e qualificações da população
Quanto aos estudantes, o relatório aponta progressos na escolarização, mas há ainda 36 por cento da população portuguesa que não completou o ensino secundário - quando a média da OCDE está nos 18 por cento.
Portugal apresenta uma diferença de 8 pontos percentuais ou mais entre homens e mulheres jovens na proporção que não atingiu o ensino superior.
Há uma coisa em que o nosso país se destaca: o aumento da formação profissional entre as gerações mais jovens - 19 por cento dos jovens entre os 25 e os 34 anos possuem uma qualificação profissional de nível secundário, contra apenas 2 por cento nas pessoas entre os 55 e os 64 anos.
O relatório associa esta evolução às reformas portuguesas que expandiram o ensino profissional nas últimas décadas.
Existem, no entanto, fortes disparidades regionais em Portugal na percentagem de adultos com escolaridade inferior ao ensino secundário. A diferença entre a Grande Lisboa (25 por cento) e a Região Autónoma dos Açores (57 por cento) é de 32 pontos percentuais.
Há uma coisa em que o nosso país se destaca: o aumento da formação profissional entre as gerações mais jovens - 19 por cento dos jovens entre os 25 e os 34 anos possuem uma qualificação profissional de nível secundário, contra apenas 2 por cento nas pessoas entre os 55 e os 64 anos.
O relatório associa esta evolução às reformas portuguesas que expandiram o ensino profissional nas últimas décadas.
Existem, no entanto, fortes disparidades regionais em Portugal na percentagem de adultos com escolaridade inferior ao ensino secundário. A diferença entre a Grande Lisboa (25 por cento) e a Região Autónoma dos Açores (57 por cento) é de 32 pontos percentuais.
É de salientar que a demografia também é desigual, com mais de 85 por cento das pequenas regiões a perderem população com idades entre os 10 e os 14 anos.
Entre os jovens NEET (não empregados, nem a estudar), Portugal apresenta ligeiramente mais jovens desempregados do que inativos. Entre 2015 e 2025, a taxa de emprego aumentou 12 pontos percentuais entre jovens com ensino secundário profissional ou pós-secundário não-terciário.
Já entre os jovens de 25 a 34 anos com escolaridade inferior ao ensino secundário, Portugal está entre os países onde a percentagem de pessoas fora da força de trabalho é mais baixa - cerca de 15 por cento.
Em Portugal, de acordo com os dados, não há praticamente diferença de género na proporção de jovens com ensino terciário que não pertencem à força de trabalho.
Já entre os jovens de 25 a 34 anos com escolaridade inferior ao ensino secundário, Portugal está entre os países onde a percentagem de pessoas fora da força de trabalho é mais baixa - cerca de 15 por cento.
Em Portugal, de acordo com os dados, não há praticamente diferença de género na proporção de jovens com ensino terciário que não pertencem à força de trabalho.