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Português que estava na Geórgia diz que viveu momentos de "grande tensão"

Português que estava na Geórgia diz que viveu momentos de "grande tensão"

Lisboa, 12 Ago (Lusa) - O português Gonçalo Guedes, que estava na Geórgia mas conseguiu sair no domingo para a Arménia, disse hoje que viveu momentos de "grande tensão", principalmente devido à grande falta de informação no país.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Funcionário da Comissão Europeia (CE), Gonçalo Guedes, de 29 anos, chegou no dia 04 de Agosto à Geórgia com mais 11 colegas para visitarem "vários projectos de desenvolvimento e cooperação da CE no país".

"Era suposto ficarmos lá até dia 14, mas no dia 09 (sábado) pensámos anular toda a missão. Fomos para a zona de montanhas na quinta-feira e foi lá que nos apercebemos que a Geórgia tinha invadido a Ossétia do Sul e a Rússia tinha reagido", contou o português, por telefone, à Agência Lusa.

"Começámos a pensar que, se calhar, a situação não seria muito tranquila. Não tínhamos acesso a quaisquer comunicações e estávamos com receio de que a estrada fosse bloqueada e não pudéssemos sair dali", acrescentou.

No entanto, a dúvida instalou-se entre o grupo quando os habitantes da aldeia onde estavam os aconselharam a ficar nas montanhas.

"Diziam que estávamos seguros ali porque nas montanhas não havia nada para atacar", disse Gonçalo Guedes.

"A partir dessa altura, começou o ambiente de tensão no grupo. Como era o elemento mais velho, tentei manter a calma", afirmou o português, acrescentando que "depois de muita conversa e discussão" decidiram voltar à capital, Tbilissi.

Ali a situação era relativamente calma, apesar da presença das tropas georgianas.

"Mal chegámos, vimos militares nas ruas, o que não acontecia quando saímos de Tbilissi. Mas o ambiente, apesar de tudo, nunca foi de alarme. Nunca vi ninguém apreensivo e a vida decorria normalmente até sair do país", relatou à Lusa.

"O ambiente era de aparente tranquilidade. No domingo viam-se pessoas a passear e a irem a restaurantes", acrescentou.

Em Tbilissi, os elementos do grupo da Comissão Europeia, de várias nacionalidades, procuraram as representações diplomáticas para terem informações sobre a situação no país.

"Queríamos, acima de tudo, que alguém nos explicasse o que estava a acontecer porque o canal de televisão georgiano dizia uma coisa, o russo outra e os canais internacionais exageravam o que realmente se estava a passar", indicou.

Nessa altura, Gonçalo Guedes constatou que Portugal não tem embaixada na Geórgia e que a missão diplomática da Alemanha é que representa os interesses dos portugueses.

Depois de várias tentativas, o português conseguiu no sábado falar com a embaixada alemã, onde deixou o seu contacto.

"Até hoje, nunca me contactaram. Aconselharam-me a sair do país, mas disseram-me que não tinham qualquer plano de evacuação. Nunca se mostraram disponíveis", criticou Gonçalo Guedes.

Ao saber que a embaixada de Itália estava a retirar os seus nacionais da Geórgia, o português decidiu tentar sair do país com destino à Arménia juntamente com italianos.

"Saímos todos (o grupo da CE). Os italianos foram impecáveis", sublinhou.

Cerca de nove horas depois de ter saído de Tbilissi chegou à Arménia, onde vai ficar até quinta-feira, dia em que tem marcado um voo para Vilnius, capital da Lituânia.

Gonçalo Guedes disse ainda que na fronteira com a Arménia estavam cerca de 50 carros a tentar sair da Geórgia e viam-se também algumas pessoas a pé.

"A maioria nem sequer era georgiana. Eram arménios", disse.

Da parte do Governo português, Gonçalo Guedes disse que, devido às grandes dificuldades de comunicação na Geórgia, só na segunda-feira conseguiu falar com o Ministério dos Negócios Estrangeiros .

"Não responsabilizo o Governo português. Acredito que a partir do momento em que souberam que estava lá tenham tentado contactar-me", afirmou.


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