Portugueses em Londres "com o coração nas mãos"

Portugueses em Londres "com o coração nas mãos"

Os portugueses que vivem no bairro de Stockwell, a Sul de Londres, onde hoje foi abatido pela polícia um presumível terrorista suicida, estão em estado de choque com o agravar da situação nos últimos dias.

João Cepeda da Agência Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Andamos todos com o coração nas mãos", disse à Lusa Teresa Silva, a proprietária do restaurante Cantinho de Portugal, situado a apenas 500 metros da estação de metro de Stockwell.

A estação de Stockwell fica a uma estação da de Oval, onde quinta-feira foi registada uma das quatro explosões de fraca potência que ocorreram em Londres.

Há duas semanas, explicou, "depois dos primeiros atentados, pensávamos que ia ser como nos outros países, que acabava tudo ali.

Mas depois do que aconteceu quinta-feira e destes tiros aqui ao lado, tão pertinho, já ninguém anda descansado. Está toda a gente em estado de choque".

Teresa considerou "uma felicidade" que o suspeito abatido em Stockwell não tivesse detonado qualquer explosivo, porque, conforme disse, "com a quantidade de portugueses que vive nesta zona era quase certo que houvesse uma vítima entre os nossos".

A operação policial montada em redor da estação também já alterou a vida a esta emigrante portuguesa, que além de ter de conviver com dezenas de agentes armados à porta vê agora milhares de pessoas a cruzar a sua rua a pé.

"É impressionante a quantidade de pessoas que se vê a andar para o trabalho ou a usar a bicicleta", explicou, acrescentando que este tipo de movimento "aumentou muito depois do alerta de quinta- feira, porque acho que só nessa altura é que as pessoas se convenceram que os atentados podem ser em qualquer sítio e a qualquer hora".

Muito perto deste restaurante, em Vauxhall Road, onde estão concentrados mais estabelecimentos comerciais dos portugueses de Londres, no chamado Pequeno Portugal, o medo também já se instalou de forma mais permanente.

João Fonseca, empregado do bar Estrela, onde todos os dias acorrem centenas de emigrantes, disse à Lusa que lhe parece "bastante evidente que as pessoas andam com muito mais medo nas ruas. Já só anda de metro mesmo quem tem de andar, porque muitas vezes não há alternativas para atravessar a cidade".

Além disso, conclui, "como a vida tem de continuar e não podemos ficar fechados em casa, temos mesmo de ignorar o medo e seguir com o dia a dia".

Pedro Marques, um dos emigrantes que passa por esta zona todos os dias para ir trabalhar, disse estar "mais descansado" pelo facto de muitos portugueses aproveitarem este período para visitar Portugal de férias, mas garante já ter ouvido testemunhos de muitos outros compatriotas que se queixam que "os familiares desistiram de se deslocar a Londres, porque dizem que têm medo de morrer com uma bomba".

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