Portugueses transferem consumo de refrigerantes com açucar para bebidas sem calorias
Lisboa, 15 jul (Lusa) - Os portugueses estão a preferir cada vez mais refrigerantes sem calorias, com transferência de consumo das bebidas com açucar, comportamento considerado positivo pelos especialistas, que não deixam de alertar para alguns efeitos nefastos das chamadas "bebidas light".
Dados da Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas (Probeb) revelam que a contribuição calórica per-capita com origem nas bebidas refrescantes não alcoólicas registou uma redução "significativa" nos últimos anos, de 16,1 por cento entre 2003 e 2011.
Esta situação concretizou-se "através de transferência do consumo para categorias de bebidas com menos calorias", mas também devido à "contração do mercado".
"Se compararmos um refrigerante normal com o equivalente diet, este não tem calorias, uma diferença muito substancial", disse à agência Lusa o nutricionista Nuno Borges, realçando que quanto maior for o consumo das bebidas com açucar maior é o efeito ao nível das cáries dentárias.
Contudo, os problemas da erosão dentária e os relacionados com o metabolismo mantém-se tanto no consumo de bebidas com açucar como nos refrigerantes `light`.
Questionado acerca das vantagens da preferência pelas bebidas chamadas de `light`, `diet` ou zero (sem calorias), Nuno Borges, da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas, referiu que "tem havido um crescimento" do consumo destes refrigerantes, "na mesma doces, mas sem açucar".
Na opinião do nutricionista Pedro Graça, as bebidas `light` "introduzem edulcorantes, substâncias artificiais que não estão habitualmente presentes na alimentação dos seres humanos e que, apesar de estudadas e experimentadas, vale a pena ter em atenção".
Para este especialista, tal como para Nuno Borges, "o ideal [é beber] água, ou sumos naturais, mas ocasionalmente podem ser usados refrigerantes".
No entanto, Pedro Graça alertou que transferir o consumo de refrigerantes clássicos para aqueles sem açucar, "do ponto de vista energético, [é] ótimo, mas do ponto de vista da ingestão maciça de substâncias, muitas vezes, presentes nestes produtos, [é preciso ter] cuidado".
Por seu lado, Nuno Borges, também professor da Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, defendeu que "o consumo de refrigerantes, de bebidas açucaradas, é um dos traços mais nefastos para a saúde".
Destacou o caso das crianças que "consomem mais e podem ser afetadas mais precocemente pelos malefícios dos refrigerantes com açucar".
Na lista de efeitos negativos que podem ser provocados pela ingestão de refrigerantes, Nuno Borges coloca os problemas dentários, devido à acidez que provoca a "erosão dentária, a dissolução progressiva e lenta do esmalte dos dentes, o que os torna mais frágeis, mais sensíveis e mais sujeitos a cáries".
O açucar também propicia a cárie dentária, além de ter efeitos sobre "as gorduras do sangue, o colesterol, a gordura no fígado e a probabilidade de desenvolver, mais tarde, doenças como a diabetes ou obesidade abdominal", acrescentou o especialista.
"Quanto aos efeitos metabólicos, o refrigerante tem sempre um efeito calórico apreciável, uma lata tem entre 25 a 35 gramas de açucar", ou seja o equivalente a três ou quatros pacotinhos de açucar usados para o café, ou 120 a 130 quilocalorias, o que "é bastante".