"Pouco mudou". Autarca do Seixal volta à Fertagus e critica viagem "desumana" de comboio

Parece que pouco mudou nos comboios da Fertagus no último ano. O autarca do Seixal quis voltar a ver de perto os problemas na ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal. Depois de apanhar o comboio esta manhã em hora de ponta, criticou os atrasos e a sobrelotação das viagens.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Foto: Nuno Patrício - RTP

"O que eu vi é que este transporte está a ser feito em condições quase desumanas". Foi desta forma que o presidente da Câmara Municipal do Seixal classificou a viagem que fez depois das 8 horas desta terça-feira, entrando em Foros de Amora e saindo na paragem seguinte, em Corroios. 

Este curto percurso foi suficiente para Paulo Silva criticar um comboio em que as "pessoas estavam apinhadas, completamente comprimidas umas contra as outras", relatando ainda que chegou com um atraso de 20 minutos. 

Os problemas não são novos e até já levaram mais de 3 mil pessoas a assinar uma petição a pedir um serviço melhor. Paulo Silva tinha usado a Fertagus há um ano e diz que voltou como porta-voz da população. 

"Há cerca de um ano denunciei a situação pelas queixas que me chegaram", recordou, com a situação "muito igual" à de hoje: "Pouco mudou", referiu. 

A autarquia do Seixal vai pedir uma reunião ao Governo, à Fertagus e à Infraestruturas de Portugal para abordar uma série de questões: perceber se a operadora privada está a cumprir o contrato de concessão, se a infraestrutura ferroviária está em bom estado de conservação e, quanto a uma eventual falta de comboios, "a Fertagus queixa-se de que há carruagens e comboios que o Governo ficou de entregar e que não os entregou".

Falta de comboios e horários lidera queixas na Fertagus

A baixa frequência do transporte tem sido o motivo que leva mais passageiros da Fertagus a reclamar, segundo dados parciais da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) em 2025. 

A Antena 1 já tinha avançado que, mesmo ainda sem o ano passado ter terminado, as reclamações contra a Fertagus até agosto de 2025 já representavam um valor máximo dos últimos cinco anos. A operadora somou 605 queixas até 31 de agosto de 2025, de acordo com o registo da AMT.

Depois de pedir os principais motivos das reclamações, a AMT revela à rádio pública que a baixa frequência do transporte representa 127 queixas, seguida do excesso de lotação de veículos (112) e do incumprimento do horário do transporte (72).

O valor provisório registado no ano passado é o segundo valor mais alto da empresa ferroviária que liga Lisboa e Setúbal de comboio. Nos relatórios da AMT desde 2016, o recorde foi em 2019, com 849 queixas, com o valor a descer até 2021 até ao mínimo de 192 queixas. Desde então tem vindo a subir.


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