Praça da Figueira vai ser revestida a azulejos típicos portugueses

A Câmara de Lisboa vai discutir em breve um projecto de requalificação da Praça da Figueira que prevê o revestimento das fachadas de todos os edifícios com azulejos azuis e brancos.

Agência LUSA /

"O azulejo é um resumo da própria arte portuguesa", defendeu hoje o arquitecto Daciano Costa, responsável pela proposta, durante a reunião da Câmara de Lisboa.

O arquitecto lamenta a "africanização da cidade de Lisboa, com a utilização de cores berrantes que contrariam a arquitectura portuguesa".

Daciano Costa sustenta que este projecto de requalificação da Praça da Figueira pretende "voltar a integrar o azulejo com um padrão mais singelo", numa intervenção que diz ser "mais cívica do que plástica".

De acordo com Ana Monteiro da Costa, do atelier de arquitectura e design de Daciano Costa, serão utilizados azulejos azuis e brancos, lisos, com linhas diagonais ou divididos em dois triângulos.

"O projecto caracteriza-se por uma simplicidade de motivos e cores que garantem uma unidade", explicou, adiantando que as decorações dos diversos pisos vão variar, de forma a criar uma gradação de cores: mais escuro na base e ficando cada vez mais claro para o céu.

O revestimento a azulejo vai permitir "aumentar a resistência e a durabilidade, conferindo um brilho e luminosidade indiscutível a esta Praça", defendeu Ana Monteiro da Costa.

"Permite manter a Praça viva durante muito mais anos. A Praça ganha por ser um revestimento duradouro, fácil de limpar e menos vulnerável ao +grafitti+", adiantou.

A Câmara de Lisboa recupera assim um projecto iniciado no tempo de João Soares (PS), que incluiu a requalificação da estátua de Dom João I e a construção de um parque subterrâneo.

A intervenção foi interrompida no início do mandato de Pedro Santana Lopes, que não encontrou qualquer documentação relativa a este projecto, pelo que avançou para tribunal no sentido de legalizar a situação, disse à Lusa fonte da Câmara.

O diferendo com a Comporest, empresa responsável pela execução do projecto, foi sanado este ano por um acordo extra-judicial que definiu que o município pagasse 3,5 milhões de euros à construtora.

Na altura, Carmona Rodrigues pediu pareceres técnicos ao engenheiro João Appleton, ao Instituto Português do Património Arquitectónico e ao Museu do Azulejo, cujas recomendações serão agora incluídas no projecto.

PUB